Musicoterapia: o som da saúde mental

25/11/2019

Profissional do CIEDS favorece vínculo com pacientes psiquiátricos por meio da música

Já dizia o velho ditado: “quem canta seus males espanta”. Ricardo Francisco de Oliveira, musicoterapeuta do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Bispo do Rosário, vai além nessa ideia. Ele diz que a música é peça-chave na saúde mental, pois ajuda a “dar voz” ao que as palavras, por si só, não conseguem. Ricardo trabalha duas vezes por semana com os pacientes da unidade, auxiliando nas relações inter e intrapessoais de cada um deles, fazendo com que avancem mais rápido em seus tratamentos.

Apaixonado por seu trabalho, Ricardo descobriu sua veia musical na infância. Com o tempo, quis se aperfeiçoar: formou-se em Música no Conservatório Brasileiro de Música (CBM). A princípio, não havia pensado em trabalhar na saúde mental, mas um evento inesperado o fez mudar seu percurso: seu pai, após nove anos em estado semi-vegetativo por conta de um AVC, reagiu a uma de suas gravações de quando era pequeno. 

“Quando coloquei para tocar algo que cantei na rádio quando tinha 12 anos, ele virou a cabeça, olhou para mim e sorriu, depois de muito tempo sem se mexer direito. Eu fiquei com essa memória na cabeça, daí, quando fui escrever minha monografia, quis falar sobre musicoterapia, algo que eu comecei a conhecer na faculdade e relacionei a isso que aconteceu com o meu pai. De lá para cá, não parei mais, venho me consolidando na área”.

Ao perceber que tinha o potencial de fazer a diferença no dia a dia de uma pessoa, quis levar alívio e cura para aquelas que passaram por algum trauma, físico ou mental, assim como seu pai. Então, ele matriculou-se na pós-graduação em Musicoterapia, também na CBM, depois fez estágio em Saúde Mental no Hospital de Jurujuba e em Gerontologia na Usimed de Petrópolis. Há um ano e meio, atende os pacientes do CAPS Bispo do Rosário. 

De maneira geral, profissionais como Ricardo usam a música para facilitar e promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes. No âmbito da saúde mental, sua função é ajudar os pacientes a encontrar sua “identidade sonora”, gerando vínculo, diálogo e liberação das tensões emocionais. Ou seja, por meio dela, eles conseguem expressar quem são, o que pensam e por qual problema estão passando. 

Durante as sessões de musicoterapia no CAPS, esses pacientes podem escolher o que cantar ou tocar. Eles têm a sua disposição vários instrumentos, como violão, tantãs, bongôs, entre outros. No início de cada sessão, a cena é mais ou menos a mesma: eles vão chegando calados, não querem se expor. Entretanto, quando são colocados no contexto musical, nota-se uma mistura de emoções que são expressas até no “mínimo” movimento. 

“A gente percebe que os pés deles começam a bater, a mão a coçar, alguma reação mais profunda a emergir. Tudo isso sinaliza para a equipe algum sentido, alguma questão, o que é muito importante na evolução desses pacientes”, de acordo com o profissional. 

Para o musicoterapeuta, o dia que mais o marcou sua trajetória profissional foi quando viu outra paciente voltar a falar. “Eu olhava para ela e ficava curioso, imaginando como seria o som da sua voz. Quando finalmente conseguiu elaborar sua fala, todos do CAPS se emocionaram, tanto funcionários, quanto outros pacientes. Foi um momento muito bonito”.

O CIEDS se orgulha em ter profissionais como Ricardo, que contribuem todos os dias para o avanço na qualidade de vida das pessoas, com o desenvolvimento de seus potenciais, sejam eles sociais, motores ou psicológicos. Realizamos a gestão compartilhada dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) junto à Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. 

Autor: Karina Rivera