Mulheres venezuelanas têm negócios acelerados em Roraima

12/01/2021

Atuação do CIEDS junto a imigrantes desenvolve microcadeia de apoio

Com o objetivo de estruturar uma plataforma de integração social e econômica em Roraima, por meio do fortalecimento de um ecossistema empreendedor, o RIS (Redes de Integração Social) impactou diretamente, em suas atividades, a vida de oito mulheres venezuelanas e de suas famílias, que tiveram seus negócios acelerados. Para além de atuar na formação de mais de 3.200 pessoas em atividades relacionadas a empreendedorismo, direito, cultura e habilidades para a vida, o projeto desenvolveu uma microcadeia de apoio produtivo na região Norte do país. Os rendimentos das beneficiadas tiveram incremento de faturamento, com o desenvolvimento das relações delas com o projeto e entre si, uma vez que passaram a compartilhar necessidades, dificuldades e conhecimentos.

“O trabalho do CIEDS foi correto. Começou com a parte teórica, passando conhecimento sobre gestão, depois deu um suporte inicial financeiro e de consultoria, para que elas pegassem todo o conhecimento e colocassem na prática tudo o que aprenderam. Transformaram teoria na prática. Vemos um resultado totalmente positivo”, avalia Max Fraga, consultor de negócios envolvido com o projeto em Roraima. O RIS é uma tecnologia social criada e validada pelo CIEDS, que pode ser reproduzida em outras localidades, adaptando os conteúdos diante dos contextos locais.

Justiça social e direitos, empregabilidade e qualidade de vida foram as ações transversais promovidas pelo projeto. Todas as empreendedoras apontaram como principal dificuldade o idioma, e mencionaram a importância dos conhecimentos adquiridos durante a formação.

“Não foi fácil no princípio, porque não entendíamos o idioma. O CIEDS foi a instituição que me ajudou a concretizar e a consolidar meu plano de negócios. No princípio, eu estava só aprendendo e tentando colocar na prática, mas não tinha um acompanhamento de perto, como tem sido com o CIEDS”, conta Jacqueline Rodríguez, venezuelana de 38 anos e que está há dois anos no Brasil com o marido e seus dois filhos.

A viagem de Jacqueline para o Brasil se deu por conta de uma emergência: sua mãe, que aqui morava, teve um acidente e ela precisou acompanhá-la. “Nesse tempo, eu não podia ficar parada, porque a vida continua, ainda mais quando temos sonhos, projetos, planos e família. Combinei com meu esposo. Ele veio e começamos a empreender”, conta ela, que já tinha seu próprio negócio há 6 anos em seu país de origem. 

A venezuelana é dona da Publigráfica, um empreendimento que presta serviços de gráfica e comunicação visual, mas que também tem um braço de educação, formação original de Jacqueline. Além de atender à demanda de itens impressos de seus clientes, ela também organiza rodas de conversas sobre empreendedorismo. Com recursos de aceleração do projeto, ela adquiriu novas ferramentas de trabalho e insumos.

Outro negócio acelerado pelo projeto foi o Sr. Micho, um empreendimento de fabricação e comércio de queijos e derivados. À frente está Aronny Ribeiro, 35 anos, que está há 9 anos no Brasil e deixou seu país para trabalhar com seu pai em Roraima. Mesmo se mudando no período inicial da crise migratória, sua dificuldade, além do idioma, foi o preconceito. 

Com a pandemia, a situação se agravou ainda mais para a empreendedora, formada em direito na Colômbia e em administração no Brasil. “Reduzi despesas e consegui chegar ao consumidor com um preço mais justo. Estou zelando pelo bem-estar da cadeia de produção. Nosso queijo é motivo de orgulho e, para mim, o empreendedorismo diário mudou. Graças ao CIEDS, consegui ter mais coragem, empreender não é fácil. Tem muita burocracia”, explica Aronny, que conseguiu adquirir equipamentos industriais com os recursos de aceleração do projeto.

Ruth Del Carmen, de 43 anos, à frente do negócio Artes Caseiras - Bolos Gostosos Demais, concorda que empreender não é tarefa fácil, mas vê a trajetória como positiva: “Comecei através dos bolos por necessidade. No trabalho que eu estava fazendo, de cabeleireira, eu estava sendo vítima de xenofobia e não ganhava muito bem. Comecei a observar que o povo do Brasil gosta muito de comer. Mas não tinham acesso. Tudo ficava longe. Comecei fazendo bolos e oferecendo a pessoas perto de onde eu morava. E estou aqui até hoje, 4 anos trabalhando com vendas de bolos. Lutando, sim. Com valores, preços, dívidas, contas e contas. Mas tem sido uma boa escola. Não é fácil empreender, mas vale a pena.”

Além da dificuldade com o idioma e com as adaptações à gastronomia brasileira, Ruth também teve que lidar com a dificuldade para criar uma relação consistente com seus clientes, superando preconceitos pelo simples fato de ser venezuelana. Com o apoio do projeto, adquiriu habilidades de gestão, para desenvolver ainda mais seu negócio.

“Gostaria de agradecer pela oportunidade que o CIEDS me deu. Entrei no programa sem buscá-lo. Cheguei nem sei como. Mas aprendi muito. Ainda falta muito também, mas o que consegui adquirir em cada treinamento tem sido muito bom”, conclui Ruth.

 

Texto por: Bruna Santamarina

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