Campeã do Shell Iniciativa Jovem cria alternativa salgada não-convencional

21/02/2022

Empreendedora Camila Reveles vende PANC cultivada em salinas

Quando começa a falar sobre sua história, Camila Reveles remete ao trisavô. Trabalhador de salinas portuguesas, ele imigrou para o Brasil para tentar uma vida melhor e se instalou em Praia Seca, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, que é propícia para a produção de sal. De geração em geração, a tradição artesanal se manteve por muitos anos, até começar a decair. Ao ver a região inutilizada, Camila resolveu usar seus conhecimentos, adquiridos na graduação em Oceanografia na Uerj e no mestrado em Biotecnologia Marinha na UFF, para criar uma alternativa produtiva ao seu território.

"Pesquisei possíveis produtos sustentáveis, encontrados nas salinas, alternativos ao sal. Foi assim que conheci essa planta que hoje é meu produto, a salicórnia. Ela cresce naturalmente nas salinas e já era bastante utilizada na culinária europeia, justamente porque em Portugal também tinha essa questão das salinas artesanais que foram perdendo uso e cultivando produtos alternativos. Comecei a pensar em como poderia cultivar a salicórnia aqui no Brasil e oferecer para principalmente restaurantes", conta Camila.

A salicórnia, também conhecida como aspargo do mar, é uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional), que precisa da água salgada para se desenvolver. Isso faz com que ela tenha um sabor naturalmente salgado e não tenha tanto sódio. Pode ser usada fresca, como acompanhamento em diversos preparos. Com o cultivo e a venda desse produto, nasceu a empresa Salty Agricultura Salina.

"Consegui uma forma de cultivar no próprio ambiente natural. Usei um pedaço da salina da minha família para fazer esse teste. Transformei um antigo galpão de armazenamento de sal em estufa. Estou comercializando há um ano. Meus principais clientes são restaurantes, mas também vendo direto para pessoa física".

A empresa fez Camila se interessar por aprofundar conhecimentos no empreendedorismo. Em 2021, decidiu se inscrever no Iniciativa Jovem, versão brasileira do programa global da Shell de incentivo ao empreendedorismo, que é gerido pelo CIEDS há 13 anos. Ao final do programa, acabou sendo eleita campeã e conquistou o troféu de melhor negócio da edição.

"Com o prêmio, consegui comprar um desidratador, que vai transformar a salicórnia em sal verde, que é a planta desidratada e moída, substituta do sal refinado. Quando começaram as aulas do IJ, a empresa estava com só 4 meses. Ajudou bastante, pois venho de uma formação acadêmica. Tinha o conhecimento técnico de produção, de fazer a planta crescer, de ver níveis de salinidade, de qualidade da água. É um produto diferente, inovador. Mas daí a pegar isso e levar para o público certo, é outra coisa", diz Camila. E completa: "As conexões com as pessoas foi outro ponto positivo. Ajudou a resolver a parte logística, de embalagens… Foram muitos insights durante o programa". 

Com o treinamento do Shell Iniciativa Jovem, Camila viu crescer também sua confiança no futuro: "Com o conhecimento adquirido, agora me sinto mais segura e mais confiante para tomar decisões. Empreender sozinha, você fica meio perdido com tanta informação. Ali [no IJ], você tem um direcionamento, tanto da equipe, quanto dos outros empreendedores, pois todo mundo passa pelo mesmo processo e consegue se ajudar".

O negócio de Camila chamou a atenção também por ter um forte pilar ambiental e de sustentabilidade. Por ser uma planta comestível cultivada somente com água salgada, encontrada em abundância, a Salty Agricultura Salina propõe uma forte reflexão sobre o futuro do planeta e a questão da escassez de água doce.

"Precisamos olhar para o futuro e pensar o que vamos fazer. Há terras inutilizadas em função da hiper salinização do solo e muitas outras plantas comestíveis que precisam de água salgada. Por que não investir nisso? Olhar para isso é super necessário, muitos ambientes poderiam ser beneficiados." 

As salinas eram símbolo de alguns municípios da Região dos Lagos, que já foi a maior produtora de sal do país. Camila, que cresceu cercada por essa cultura, se diz feliz por trazer uma nova possibilidade para o local, cuja biodiversidade é incrível. A família, que acompanhou a decadência das salinas, ficou incrédula com a salicórnia como possibilidade de futuro para a região.

"De início, foi um pouco curioso. Ninguém sabia da planta e diziam: 'nossa, mas é plantinha que eu pisava?' Foi um processo de juntar vários estudos, fazer um powerpoint para a minha família entender que não sou doida", brinca Camila. "Praia Seca é pequena, as pessoas já me conhecem e sempre me perguntam: 'você vai plantar na salina, tem certeza?' Eles ficam felizes e contam para todo mundo."

Você também quer ter a chance de desenvolver o seu negócio ou a sua ideia com o apoio de um dos maiores programas de empreendedorismo do Brasil? Clique aqui e inscreva-se no Shell Iniciativa Jovem até o dia 23 de fevereiro!

Crédito da foto: Thiago Lara

Texto por: Bruna Santamarina

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