Afroascendentes no ensino superior

14/03/2016

Memória CIEDS: Programa Afroascendente trabalhava a questão antes mesmo da criação do PROUNI.

Se hoje o número de negros no ensino superior representa quase metade dos universitários do país, em 2004, quando ainda nem existia o Programa Universidade para Todos - ProUni (iniciativa do governo federal para facilitar o acesso de alunos carentes ao ensino superior) o cenário era bem diferente.

Há 12 anos, uma parceria entre o CIEDS e a empresa Xerox, iniciou o Programa Afroascendente, que ofereceu tutoria e mentoria para 40 jovens negros do Rio de Janeiro e de São Paulo com o objetivo de aumentar as suas chances de ingresso em universidades. O Afroascedente promoveu as condições necessárias para que estes jovens tivessem uma maior perspectiva de ascensão social e profissional. Dos 40 participantes, 24 ingressaram em universidades ao longo do programa.

“O programa tinha como objetivo garantir o ingresso de estudantes no ensino superior público ou privado, pagando um curso pré-vestibular e, se preciso, as mensalidades universitárias. O programa, que tinha duração prevista para 7 anos, também assegurava ticket-alimentação, vale transporte, seguro de vida e uma ajuda de custo aos participantes”, conta Helen Pedroso, que atuava no CIEDS na época e hoje é Gerente Geral do Instituto Ronald Mcdonald.

Os participantes tornavam-se ainda multiplicadores da cultura negra em suas escolas e comunidades ao pautar o diálogo sobre questões como trabalho comunitário, responsabilidade social, autoestima, empreendedorismo e o  relacionamento interpessoal.

Deste projeto nasceram profissionais que hoje são formados em direito, arquitetura, estatística, psicologia, e que, além disso, ampliaram a sua consciência sobre sua etnia, multiplicaram o conhecimento adquirido no projeto formando redes para prosperidade e iniciaram uma nova história sobre a relação entre negros e a vida acadêmica no Brasil.

Autor: Rafael Biazão