Acolher para reintegrar

16/04/2018

A Unidade de Reinserção Social Ilha do Governador acolhe famílias, adultos em situação de vulnerabilidade social e promove a reintegração comunitária e familiar

Quem entra pela portaria da URS Ilha do Governador encontra um conjunto de serviços que forma um organismo vivo, cujo espaço físico tem expressiva representatividade na vida de centenas de pessoas que tem passado e interagido com o lugar. 

A URS Ilha do Governador acolhe homens e mulheres em situação de rua, com vínculos familiares rompidos ou fragilizados, em situação de vulnerabilidade social, a fim de garantir-lhes proteção integral. 

A escolha da palavra “acolher” não poderia ser mais adequada. A URS não oferece apenas um teto e alimentação para pessoas que necessitam, e sim um local onde elas têm suporte para trilharem novos caminhos rumo à reinserção social e comunitária e a reconquista dos seus direitos.

“A unidade, por ser de reinserção social, funciona como um espaço de acolhida, onde pessoas moram temporariamente. É uma unidade cujo serviço é prestado 24 horas, ou seja, não para nunca”, diz Rosângela Iduino, Diretora.  

Para isso, são realizadas diversas atividades com os usuários, cuidadosamente planejadas e articuladas para o máximo benefício de todos. Visitas a teatros, museus, shoppings e restaurantes dão a eles oportunidade de usufruir da cidade, a reapropriação do território e promovem novos e importantes aprendizados sobre cultura e controle financeiro.

“Eles se interessaram tanto pelo teatro que agora todos querem participar dos passeios, pensar como funciona uma peça de teatro, cumprimentar os atores no fim”, diz Lúcia Benjamin, Educadora da URS. 

Mas não só de atividades externas vive-se na URS. A unidade possui dois espaços: o Cora Coralina, destinado às mulheres, e o Vida em Movimento, para os homens. Lá realiza grupos de diálogos sobre empregabilidade, qualidade de vida, cursos profissionalizantes em diversas áreas, ensaios do grupo de coral e comemorações dos aniversários. Tudo isso como alternativa e preparação para a saída dos acolhidos. 

Fachada do Cora Coralina

“No primeiro dia do coral nós achamos que não fosse ter muita participação, que eles não fossem se interessar muito, mas foi o contrário. Foi muito emocionante porque eles cantaram como se já tivessem feito coral antes”, lembra Jurema Borges, outra Educadora da Unidade. 

O trabalho tem seus desafios e, por isso, é necessário que a equipe esteja sempre muito afinada: “A engrenagem exige muitas coisas e é muito viva, está sempre mudando. Para que as coisas funcionem precisamos ter uma equipe que fale na mesma língua, para que tenham autonomia”, explica Terezinha de Andrade, Assessora da Direção. 

Um exemplo do alinhamento são as reuniões da equipe técnica, nas quais é possível acompanhar as questões do dia a dia do lugar e onde o grupo de funcionários da Unidade pensa em soluções em conjunto e articulações para o trabalho.

As reuniões da equipe técnica ocorrem todas as terças-feiras e para discussão, reflexão e alinhamentos do trabalho.

A equipe só poderia ser multiprofissional: são assistentes sociais, psicólogos, educadores, pedagogos, terapeutas ocupacionais e nutricionistas responsáveis por garantir o bem-estar e a integração de todos.

Carolina Bandeira, nutricionista da URS, observa o almoço da equipe da cozinha: “O mais bacana foi poder construir um cardápio que seja bom tanto para diabéticos quanto para quem tem colesterol alto. Coloco coisas com pouca gordura até para ajudar a combater a obesidade dos usuários”.

A paixão pelo trabalho transparece quando a equipe conta sobre histórias de sucesso de reintegração de usuários ou divide momentos que marcaram as suas carreiras na Unidade.

“Nós levamos um grupo de residentes que faziam aniversário para o zoológico, e olha, eu tenho as fotos até hoje. Teve uma usuária que olhava para os bichinhos e perguntava se eram de verdade, ela nunca havia vivenciado isso. Foi maravilhoso, todos voltaram para casa contando o quanto foi legal”, conta Márcia Ramos, psicóloga que hoje atua com o público masculino nas ações do espaço Vida em Movimento. 

E são muitos os casos de sucesso. Todos vibram quando um usuário consegue conquistar sua independência e não precisa mais permanecer na unidade. Porém, não perdem os vínculos com o lugar e com a equipe.

“A maioria quando aluga casa é por aqui por perto. E às vezes quando acontece algo vem aqui”, Terezinha enumera alguns deles com um sorriso no rosto demonstrando a rede que os usuários formam para dar suporte nos momentos em que necessitam.

A Unidade de Reinserção Social é um equipamento da Prefeitura do Rio de Janeiro em gestão compartilhada com o CIEDS. 
 

Autor: Victoria Guimarães