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#RetratosdoCIEDS: quando o trabalho formal vira um primeiro passo para reconstruir caminhos

Notícia
2 fevereiro 2026
#RetratosdoCIEDS: quando o trabalho formal vira um primeiro passo para reconstruir caminhos

No Brasil, milhares de adolescentes e jovens cumprem medidas socioeducativas determinadas pelo Judiciário. São trajetórias marcadas por vulnerabilidades profundas — e que, ao deixarem o sistema, frequentemente encontram poucas alternativas concretas de mudança.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, mais de 10 mil adolescentes cumprem atualmente medidas socioeducativas em unidades de internação no país. A maioria é do sexo masculino (95%), tem 17 anos (34%) e se declara parda (55%), seguida por brancos (25%) e pretos (19%).

O mapeamento também aponta que apenas 39% das unidades de internação garantem mais de 20 horas semanais de estudo, enquanto 37,1% oferecem entre 16 e 20 horas semanais. Em termos de apoio psicossocial, 406 unidades contam com assistentes sociais e 403 com psicólogos, números ainda insuficientes diante da complexidade e vulnerabilidade dessas trajetórias.

Nesse cenário, projetos isolados não são capazes de transformar o todo. É preciso uma ação intersetorial e articulada para garantir que ciclos de exclusão sejam rompidos e novas oportunidades de futuro sejam construídas.  

Foi nesse contexto que nasceu o projeto Justiça pelos Jovens, iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, executada pelo CIEDS, que oferece experiência profissional formal a jovens em cumprimento de medida socioeducativa ou remissão suspensiva. O objetivo é romper o ciclo de vulnerabilidade e mostrar que trabalho, dignidade e autonomia são partes de uma mesma equação de cidadania.

Durante dois anos, o jovem Guilherme atuou como auxiliar administrativo em uma vara de família do Tribunal de Justiça. A experiência, seu primeiro emprego formal, não apenas abriu portas, mas também o inspirou a continuar os estudos. Hoje, ele foi efetivado no Tribunal e vem construindo um futuro na área jurídica, com o sonho de se tornar magistrado.

“Foi bom porque a área que estou hoje é a área que sempre quis. Graças ao projeto, consegui mudar de hotelaria para a área jurídica”, conta o ex-participante do programa e hoje estudante de Direito.

“O que eu levo comigo desses dois anos é que tem que ter paciência. Aqui aprendi a lidar com os desafios e a não desistir”, afirma.

 

Impacto que muda histórias

O Justiça pelos Jovens faz parte de um conjunto de projetos conduzidos pelo CIEDS em parceria com o TJ-RJ:

 

  • Justiça pelos Jovens: voltado a jovens em medida socioeducativa ou remissão suspensiva;

  • Começar de Novo: direcionado a egressos do sistema penal, promovendo reinserção produtiva;

  • Inclusão Legal: voltado a pessoas em vulnerabilidade social, vítimas de violência doméstica e pessoas LGBTQIAPN+.

  • Jovens Mensageiros: voltado a pessoas em vulnerabilidade social, para trabalho na mensageria do TJ

 

Juntas, essas iniciativas formam uma rede de reintegração social e produtiva, com a compreensão de que a transformação é gradual e depende de múltiplos fatores, redes e políticas públicas. 

Os desafios vão muito além da inserção profissional. Envolvem romper com contextos de vulnerabilidade que, muitas vezes, empurram os jovens de volta para o crime e, em casos extremos, colocam vidas em risco. Por isso, cada jovem que conclui a jornada representa não só uma conquista individual, mas uma vitória coletiva.