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#RetratosdoCIEDS: empreendedorismo feminino como caminho de proteção e autonomia

Notícia
16 janeiro 2026
#RetratosdoCIEDS: empreendedorismo feminino  como caminho de proteção e autonomia

R. tem 59 anos e carrega em sua trajetória força e resiliência. Nascida na Ilha de Cotijuba (PA), cresceu em uma família ribeirinha e enfrentou desde cedo desafios econômicos e sociais. Como muitas mulheres brasileiras, R. também conviveu com violência doméstica, ciclos de dependência financeira e situações de vulnerabilidade que limitaram suas escolhas e sua autonomia.

Antes de participar do projeto Energia Feminina, R. vivia sem perspectivas. Sem renda própria, dependendo dos filhos para despesas básicas como energia e medicamentos, sentia-se sem horizonte e desanimada. 

“Antes do projeto eu era uma coisa, e agora eu sou outra. Hoje eu posso pagar minhas contas, comprar meus medicamentos e acreditar no meu potencial. O Energia Feminina mudou minha vida”, conta.

Com as formações, mentorias e ao capital semente recebido, R. retomou sua atividade na gastronomia: começou a vender refeições por encomenda e sonha em abrir seu próprio restaurante. Mais que renda, o projeto lhe devolveu dignidade, confiança e esperança. Em 2026, a iniciativa será expandida para sete estados.


Empreendedorismo feminino é também enfrentamento à violência de gênero

A história de R. não é exceção. Ela é parte de um cenário nacional alarmante. Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (DataSenado, 2025):

  • 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar em 2025.

  • 71% das agressões acontecem na presença de outras pessoas, muitas delas crianças.

  • 38% das mulheres foram agredidas pela primeira vez antes dos 19 anos.

  • 17% das vítimas convivem com o agressor, número que chega a 19% entre mulheres fora da força de trabalho.

  • 40% das agressões presenciadas não recebem ajuda de testemunhas.

  • 10% sofreram violência digital.

A maioria não denuncia, por medo pelo bem-estar dos filhos, descrença na punição e esperança de que “seria a última vez”, segundo o estudo.

A violência de gênero é estruturante e persistente  e está ligada à falta de autonomia econômica. Por isso, investir em empreendedorismo feminino é investir em proteção, autonomia e interrupção dos ciclos de violência.

 

Energia Feminina: autonomia econômica como caminho para a liberdade

O Energia Feminina, iniciativa do Instituto Equatorial em parceria com o CIEDS, atua justamente nesse ponto: fortalecer a emancipação das mulheres por meio de capacitação, redes de apoio, inclusão produtiva e geração de renda.

Em 2025, o programa atuou em Belém (PA) e Teresina (PI), oferecendo formações, mentorias, acompanhamento técnico e capital semente para impulsionar negócios e gerar autonomia financeira.

  • 360 mulheres mobilizadas e 120 incubadas com mentorias especializadas;

  • 100% das participantes afirmam que o programa impactou suas vidas e negócios;

  • 96% relatam ter realizado algum sonho ou objetivo após a participação;

  • 51% iniciaram atividades produtivas ou acessaram novas oportunidades de emprego;

  • 50% ampliaram sua renda mensal em pelo menos 50%;

  • 100% participaram de formações sobre eficiência energética, com ações práticas que reduziram custos e incentivaram a sustentabilidade.

 

O impacto ampliado do CIEDS em 2025

Além do Energia Feminina, o CIEDS alcançou resultados robustos em iniciativas com o setor elétrico voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo feminino e à equidade de gênero:

  • 12 mil mulheres empreendedoras impactadas em RJ, PA, MA, MS, RS, PI e RO.

  • Aumento médio de renda de 14% entre as participantes.

Esses dados mostram que, quando se investe em mulheres, todo o território prospera e ciclos de violência começam a ser interrompidos.

 

Uma história que representa muitas

R. encontrou no Energia Feminina não apenas uma oportunidade de empreender, mas uma chance real de reconstruir sua vida.

Como ela, centenas de participantes vêm transformando trajetórias, fortalecendo sua autonomia e criando redes de apoio que protegem suas famílias e comunidades.

O Energia Feminina é realizado pelo Instituto Equatorial em parceria com o CIEDS, reafirmando o compromisso de ambos com o desenvolvimento sustentável, a equidade de gênero e o empoderamento feminino.