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#RetratosdoCIEDS: como uma mãe solo encontrou novas possibilidades para construir autonomia

Notícia
18 setembro 2026
#RetratosdoCIEDS: como uma mãe solo encontrou novas possibilidades para construir autonomia

Aline tem 30 anos, mora no bairro Vila Isabel, na região Itaqui-Bacanga, em São Luís (MA), e é mãe solo de duas crianças. Hoje trabalha como trancista e está ampliando sua atuação para novas áreas da beleza. Uma trajetória marcada por superação de desafios, reinvenção e pela busca por novas possibilidades para sua família.

Sua história se conecta à de milhares de famílias acompanhadas pela Rede de Prosperidade Familiar. Iniciativa da Vale, em parceria com o CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável), a Rede de Prosperidade Familiar é parte da rede Juntos Contra a Pobreza, estratégia da Vale que busca apoiar a saída de 500 mil pessoas da extrema pobreza no Brasil até 2030,  e atua no Acompanhamento Familiar Multidimensional, estratégia que permite identificar violações e trabalhar para que as famílias tenham acesso aos seus direitos básicos, em constante sinergia com o poder público e demais atores locais.

No estado do Maranhão, mais da metade da população vive abaixo da linha da pobreza, cenário que reforça a importância de estratégias integradas de enfrentamento às vulnerabilidades sociais. Em parceria com o CIEDS, a iniciativa foi desenvolvida na região Itaqui-Bacanga, em São Luís (MA), um território com cerca de 200 mil habitantes distribuídos em aproximadamente 70 bairros e marcado por desafios históricos relacionados ao acesso a serviços públicos, trabalho e renda.

Desde 2023, a Rede alcançou 65 bairros da região, o equivalente a cerca de 93% de cobertura territorial, fortalecendo organizações comunitárias que atuam diretamente junto às famílias.

A trajetória de Aline dialoga com uma realidade compartilhada por milhões de brasileiras. Hoje, as mulheres ocupam a chefia de 49,1% dos domicílios do país, segundo o IBGE. Entre elas, estão cerca de 11 milhões de mães que criam os filhos sozinhas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia.

Para muitas dessas mulheres, encontrar formas de gerar renda também está relacionado à possibilidade de conciliar trabalho, cuidado e autonomia. Não por acaso, o Brasil encerrou 2025 com 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios próprios. Juntas, elas movimentam mais de R$ 30 bilhões por mês em renda, segundo o Sebrae.

Antes de empreender, Aline trabalhou durante três anos como balconista de uma padaria. A vida tomou outro rumo quando engravidou de seu primeiro filho, que nasceu prematuro e faleceu pouco tempo depois. A experiência marcou profundamente sua vida, e a levou a interromper sua trajetória profissional momentaneamente.

Anos depois, ao engravidar novamente, percebeu que precisava encontrar uma forma de reconstruir sua vida e garantir melhores condições para sua família. Em 2019, começou a assistir a vídeos na internet sobre técnicas de tranças. Aprendeu sozinha, praticando em familiares e amigos, até conquistar suas primeiras clientes.

"Meu primo fez tranças comigo e saiu na rua. As pessoas perguntavam onde ele tinha feito e foi assim que comecei a conseguir clientes", relembra.

Em 2025, Aline retomou o contato com Dona Isabel, sua professora na infância e integrante do Instituto Cecília, uma das organizações comunitárias que fazem parte da Rede de Prosperidade Familiar. Executada pelo CIEDS em parceria com a Vale, a iniciativa fortaleceu organizações locais em gestão, sustentabilidade econômica, liderança e outros aspectos, para que elas pudessem ampliar ainda mais as oportunidades ofertadas para famílias em situação de vulnerabilidade, conectando moradores a ações de qualificação, geração de renda e acesso a direitos. Foi justamente por meio dessa rede que surgiu o convite para participar de uma entrevista para um curso de maquiagem oferecido pela instituição.

O objetivo inicial era agregar um novo serviço ao trabalho que já realizava como trancista, mas a experiência acabou representando algo maior.

Algum tempo depois da conclusão do curso, Dona Isabel perguntou se ela precisava de algum apoio para continuar trabalhando. Aline comentou que seu espelho e sua escova profissional estavam quebrados. Próximo ao Natal, recebeu os equipamentos de que precisava para continuar atendendo seus clientes.

"Quando chegou perto do Natal, Dona Isabel apareceu aqui com a escova e o espelho. Eu vibrei. Para muitos, pode parecer uma coisa básica. Mas sou mãe solo. O dinheiro do meu trabalho é para investir nos meus filhos. O que para alguns é pouco, para mim foi um pontapé para continuar trabalhando."

Hoje, além das tranças, Aline segue investindo em sua formação profissional. Concluiu o curso de maquiagem, está se capacitando em bronzeamento e busca constantemente novas possibilidades para ampliar sua renda.

"Temos que estar sempre nos reinventando. Quem é mãe pensa muito nisso. Preciso prover para mim e para os meus filhos."

A busca por autonomia também faz parte da história de sua família. Sua mãe, artesã e crocheteira, também participou de cursos oferecidos pelo Instituto Cecília, incluindo capacitações em produção de chaveiros e reaproveitamento de materiais.

"Nós crescemos assim. Minha mãe é meu espelho. Minha avó criou os filhos sozinha, minha mãe criou os filhos sozinha e hoje eu também estou criando os meus, parece um ciclo.

O futuro que Aline imagina vai além do próprio crescimento profissional. Seu sonho é ampliar o negócio, oferecer novos serviços e gerar oportunidades para outras mulheres.

"Quero crescer e colocar pessoas para trabalhar comigo. Principalmente mães. Não é fácil trabalhar e ser mãe. Por isso escolhi trabalhar em casa, perto dos meus filhos. Quero continuar crescendo e conquistando coisas novas."

Histórias como a de Aline mostram que prosperidade não se resume ao aumento da renda. Ela envolve autonomia, acesso a oportunidades, fortalecimento de vínculos e capacidade de planejar o futuro.

A história de Aline faz parte de uma transformação coletiva. Ao longo de dois anos, a Rede de Prosperidade Familiar fortaleceu 40 organizações comunitárias e alcançou 21.877 famílias em 65 bairros de Itaqui-Bacanga, impactando indiretamente cerca de 81 mil pessoas.

Os resultados refletem uma visão ampla de prosperidade e desenvolvimento:

• 3.267 participantes passaram a gerar renda;

• 434 pessoas conquistaram emprego formal;

• 196 mulheres iniciaram ou fortaleceram seus empreendimentos;

• 2.700 beneficiários participaram de cursos de qualificação;

• 2.787 pessoas foram inseridas em programas socioassistenciais;

• 663 pessoas retornaram aos estudos;

• 1.139 crianças tiveram acesso à educação infantil formal;

• Mais de 6 mil pessoas receberam apoio relacionado à segurança alimentar.

Os números mostram que combater a pobreza exige muito mais do que ampliar a renda. Exige fortalecer organizações locais, ampliar o acesso a direitos e criar condições para que comunidades inteiras possam construir caminhos sustentáveis de desenvolvimento.