Fábio Muller Diretor Executivo
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4 orientações estratégicas para organizações sociais em 2026

Artigo
26 fevereiro 2026
4 orientações estratégicas para organizações sociais em 2026

Atuar no campo social exige, cada vez mais, visão estratégica. Os desafios que enfrentamos hoje, como a pobreza, as desigualdades e as crises socioambientais, não se resolvem com ações pontuais ou soluções improvisadas. Exigem método, coerência e capacidade de trabalhar em escala.

Depois de quase três décadas acompanhando políticas públicas, territórios e organizações sociais em diferentes contextos, alguns aprendizados se tornaram evidentes para o CIEDS.

Listamos quatro orientações estratégicas que podem ajudar as Organizações da Sociedade Civil a fortalecer sua atuação, ampliar impacto e garantir sustentabilidade institucional.
 

1. Priorizar parcerias de longo prazo

Parcerias de impacto não se constroem em ciclos curtos. Confiança, credibilidade e bons resultados exigem tempo, consistência e entrega contínua.

Organizações que tratam cada captação como um evento isolado tendem a perder algo essencial: a construção de credibilidade. Relações duradouras com financiadores, governos e parceiros institucionais permitem amadurecer soluções, ajustar modelos e gerar resultados mais profundos nos territórios.

Parcerias longevas costumam ser sustentadas por três pilares simples, mas exigentes: entrega qualificada, transparência na prestação de contas e relação institucional contínua. Em 2026, fortalecer vínculos é tão estratégico quanto captar novos recursos.

 

2. Direcionar esforços para políticas públicas eficazes

Nem toda política pública gera o mesmo nível de impacto. Por isso, orientamos escolher estrategicamente onde concentrar energia, recursos e capacidades técnicas.

Empregabilidade jovem, inclusão produtiva, programas socioambientais, cultura e esporte seguem sendo frentes relevantes. Mas é fundamental não perder de vista as urgências estruturais: fome, insegurança alimentar, falta de moradia, adoecimento físico e mental e exclusão social.

Organizações sociais que atuam com políticas públicas eficazes ampliam sua capacidade de transformação, especialmente quando priorizam quem historicamente teve menos acesso a oportunidades. Escala, nesse caso, não é volume por si só, mas relevância social.

Quer aprofundar essa reflexão? No artigo “Redistribuir poder, construir autonomia: o papel do CIEDS na reinvenção da filantropia comunitária e no fortalecimento das políticas públicas”, eu e Vandré Brilhante, Diretor Presidente do CIEDS, abordamos como organizações intermediárias podem ir além da execução técnica e se tornar instrumentos de redistribuição de poder e fortalecimento territorial.

3. Crescer a partir da própria expertise

Escalar impacto exige foco. Uma das armadilhas mais comuns no setor é tentar abraçar agendas que não dialogam com a experiência acumulada da organização.

Um caminho mais sustentável é fortalecer aquilo que já se faz bem: metodologias testadas, conhecimentos consolidados, equipes capacitadas e resultados comprovados. Coerência entre propósito, saber técnico e atuação prática é o que sustenta crescimento com qualidade.

Organizações que respeitam sua própria trajetória tendem a operar com mais eficiência, clareza de posicionamento e capacidade de mensurar impacto.

 

4. Desenvolvimento territorial e escalabilidade de impacto

Se existe um aprendizado central em nossa trajetória é este: impacto se constrói com o território.

Em São Luís do Maranhão, por exemplo, atuamos em parceria com a Vale e com uma rede de 41 organizações comunitárias no território de Itaqui-Bacanga. Juntas, essas organizações protagonizam um grande projeto de combate à pobreza do país, alcançando cerca de 4 mil famílias e mais de 21 mil pessoas.

O que aprendemos? Redes comunitárias trazem pertencimento, legitimidade e conhecimento local. Nosso papel é ser facilitador: transferir tecnologia social, fortalecer capacidades, apoiar a gestão e garantir monitoramento rigoroso dos resultados. Essa é a base para escalar impacto de forma sustentável.

 

Um convite ao setor em 2026

Essas orientações não são fórmulas prontas. São aprendizados práticos para um setor que precisa, cada vez mais, combinar estratégia, colaboração e responsabilidade.

O futuro das organizações sociais passa por escolhas estratégicas, parcerias sólidas e capacidade de transformar recursos em resultados para as pessoas e os territórios.

Em 2026, o desafio não é apenas fazer mais, mas fazer melhor, juntos e com impacto.