V Seminário da Rede de Várzea Grande

22/12/2020

Desafios e oportunidades da Rede de Territórios Educativos de Várzea Grande

“Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender e ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação”, pensamento do educador e antropólogo Carlos Henrique Brandão que deu início a mais uma edição do Seminário da Rede de Territórios Educativos de Várzea Grande (MT). Com o tema “Desafios e oportunidades da Rede de Territórios Educativos de Várzea Grande – RTE/VG, em 2020”, a Prefeitura da cidade e os parceiros da Rede realizaram entre os dias 25, 26 e 27 de novembro uma série de conversas com representantes de Fundações, Organizações da Sociedade Civil e outros atores locais sobre a atuação do Terceiro Setor durante este período de pandemia e como a educação é o ponto de partida para o enfrentamento aos obstáculos em diferentes situações do desenvolvimento de uma criança. 

Mais de 2 mil crianças do município são assistidas e protegidas atualmente, resultado do trabalho conjunto da Rede de Territórios Educativos em cinco anos. Maria Tereza Urbano é uma missionária paranaense que chegou em Mato Grosso no ano de 1991. Ela ficou tocada com a situação de crianças em extrema pobreza na comunidade da Vila São João, decidiu morar no bairro e fundar o Cenprhe Canopus, o Centro de Promoção Humana Emanuel. Ela foi uma das convidadas do evento para contar sobre os desafios da instituição durante a pandemia. Na sua fala, reforçou que a solidariedade foi a palavra mais forte e que marcou o território. “Fomos aos poucos criando novas formas de comunicação com as crianças e adolescentes e conseguimos criar um contato direto também com as famílias. As Fundações e empresas se apoiaram nas OSC que estão na ponta atingindo inúmeras famílias.

"Nos vimos todos como iguais e isso trouxe, realmente, atitudes de solidariedade. Eu vi todo o território mobilizado, não somente com o fornecimento de cestas básicas e materiais de higiene, mas também na escuta afetiva das organizações", avalia.

Por outro lado, não foi somente a solidariedade que esteve presente nesse tempo. Segundo Inês Rodrigues, da Guarda Municipal, o número de atendimentos a crianças que sofreram violações de direitos, como abusos sexuais, triplicou nesse momento de isolamento social. “A gente consegue entender o quanto essa pandemia tem afetado as crianças, não só por não estarem estudando, mas por não terem segurança na própria casa”, atenta para a situação. 

O projeto “A Arte de Proteger”, do qual faz parte, realiza uma série de atividades lúdicas para as crianças da região acerca da violência contra a mulher e crianças, como fantoches sobre a lei Maria da Penha, conversas da equipe técnica com elas e os adolescentes, além do incentivo à produção de redação e apostilas nas escolas, sempre em parceria com a Secretaria de Educação.

Eloise Rodrigues, psicóloga do Centro de Convivência Familiar e Comunitária de Várzea Grande, retratou alguns casos de crianças que foram abusadas por responsáveis ou membros familiares que convivem no mesmo ambiente. Elas chegaram a criar vínculos com professores da escola por se sentirem seguras perto deles e contaram o que acontece dentro de casa. Eloise ainda alerta para comportamentos frequentes que precisam ser observados durante a rotina, como a perda de interesse, os medos de lugares e de pessoas, o isolamento, a sexualidade avançada e a preocupação: “as crianças têm medo de ser vistas, escolhidas e o crime acontecer”, explica a psicóloga.

 

Texto por: Júlia Bruce

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