Mulheres empreendedoras mexem no lugar mais estrutural da sociedade

19/11/2021

Leia o artigo da Diretora de Novos Negócios e Inovação, Rosane Santiago

Existe um conjunto de expectativas sobre o que é ser mulher. Ora ele nos aponta que é necessário reproduzir um padrão de características ditas masculinas, como racionalidade e assertividade, ora nos mostra que o único caminho possível é o da mãe, o da esposa, nesse lugar do cuidado. São aspectos comportamentais que se espera que uma mulher tenha, que vão desde a fala e a vestimenta até a forma como ela lidera ou empreende.

Para debater a fundo o empreendedorismo feminino, celebrado no dia 19 de novembro, é preciso ampliar a discussão e passar pela redução das desigualdades de gênero, pela garantia de direitos e por esse lugar mais estrutural da sociedade. É preciso olhar para o empreendedorismo também pela ótica das mulheres que empreendem por necessidade, mas que muitas vezes sequer se enxergam como empreendedoras.

Trata-se de um grupo de mulheres que historicamente têm que prover o básico. Sabem se virar com pouco, olham para o dinheiro numa perspectiva de construção de futuro, de desenvolvimento dos filhos, de quebra de ciclos intergeracionais de pobreza. Têm por essência um olhar sistêmico, humano. E aqui repare que digo "humano", não maternal.

Como exemplo, cito a atuação do CIEDS no lixão de Pacajus, no Ceará. Começamos com a entrega de cestas básicas na pandemia, mas vimos a necessidade de aplicar um perfil sócio familiar, no qual as questões de gênero ficaram evidentes. Era imperativo desenvolver um projeto de empreendedorismo para as mulheres, o Tecendo o Amanhã. Afinal, quantas delas estão ali buscando uma condição básica de prover sustento às suas famílias?

Mesmo quando levamos a discussão para o campo empresarial, já dentro do ecossistema empreendedor, que olha para o lucro e para o outro também como um ativo econômico, ainda assim as mulheres enfrentam têm maior mais adversidades, como dificuldade de acesso a crédito, por exemplo. Segundo uma pesquisa anual do Instituto Rede Mulher Empreendedora 2021, 42% das donas de negócios que solicitaram crédito tiveram seus pedidos negados.

Não é possível debater o empreendedorismo feminino sem entender como a sociedade se estrutura. E essa discussão é de extrema importância, visto que o Brasil tem hoje mais de 30 milhões de mulheres empreendedoras, em um universo de 52 milhões de pessoas que empreendem, segundo o Global Entrepreneurship Monitor 2020 (GEM), pesquisa feita em parceria com o Sebrae.

O empreendedorismo é uma importante ferramenta para a promoção de mudanças sociais e econômicas. Neste sentido, ativar os potenciais das mulheres que estão inseridas nas periferias e favelas dos grandes centros urbanos é uma das estratégias que utilizamos para a promoção da prosperidade de pessoas e comunidades. O CIEDS, em toda sua trajetória, desenvolveu diversos programas de empreendedorismo, como o Shell Iniciativa Jovem, o Juventude Empreendedora, o Luz nos Negócios, o Pense Grande, o Caju Lab, o Rede de Mentores e o recente Conecta+ Brasil, entre outros. As mulheres estiveram lá e como em todos os nossos projetos, como maioria do nosso público.

Seja no empreendedorismo de sobrevivência ou no de oportunidade, precisamos pensar como estamos construindo uma sociedade do futuro desde a base. É necessário entender o lugar da mulher no sistema educacional, doe empoderamento da mulher, mas também da responsabilidade dos múltiplos indivíduos que compõem a sociedade nesse processo. 

E acredito que este caminho é em rede, com uma visão mais coletiva, mais inclusiva, menos idealizada do que buscamos em termos de resultados de negócios, em um economia sustentada por parcela representativa de informalidade, e menos romantizada do papel da mulher na sociedade. A solução está no impacto coletivo e, para isso, precisamos ter conversas difíceis, como essa, com atores de arranjos multissetoriais, furar bolhas e chegar a todas as mulheres.

 

Texto por: Rosane Santiago

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