Informação preciosa deve ser compartilhada

02/09/2016

Participantes de projeto aprendem lições importantes sobre a prevenção do HIV.

Sala lotada de jovens dos Complexos da Serrinha e do São Carlos, ambos na cidade do Rio de Janeiro. A agitação na sala é visível. É que esses jovens estão prestes a falar de um tema bastante polêmico: a AIDS e as suas diferentes formas de prevenção. Na última quinta-feira, dia 25 de agosto, o pesquisador do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e AIDS / Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/FIOCRUZ), Dr. Nilo Martinez, passou aos jovens do projeto Atitude Jovem Frente ao HIV/AIDS informações cruciais sobre esse tema.

"Não quero que vocês me encarem como um doutor. Quero que todos se sintam à vontade para fazer perguntas. Aqui não existem perguntas bobas, toda dúvida é importante". Assim Nilo começa a oficina, mantendo um jeito descontraído de apresentar os fatos até o final do encontro. Utilizando uma linguagem simples e clara, sem julgamentos, ele apresenta outras formas de prevenção que vão além da tão conhecida camisinha.

Durante a palestra, Nilo falou sobre as formas de contaminação pelo HIV e os medicamentos que podem ajudar na sua prevenção: a PEP (do inglês, profilaxia pós-exposição) e a PrEP (também do inglês, profilaxia pré-exposição), além dos diferentes tipos de testes disponíveis para saber se houve ou não o contágio da doença.

O pesquisador alega que é sim importante o uso do preservativo, mas que todos devem obter informação para que possam realizar escolhas e considerar o que é melhor para si naquele determinado momento.

“É fundamental que as pessoas saibam que hoje se não pode mais pensar apenas no preservativo quando falamos em prevenção. Ele ainda é a melhor forma de se cuidar, mas devemos falar também na prevenção combinada, no uso do preservativo junto a outras tecnologias biomédicas complementares. Ou seja, aquelas pessoas que usam preservativo podem, e devem, seguir usando o preservativo, porém, hoje, há a possibilidade de se fazer uso de métodos que têm se demonstrado eficientes, reduzindo o risco da contaminação”, Nilo destaca. Com essa oficina os jovens puderam perceber que há inúmeras estratégias para redução da vulnerabilidade ao HIV.

A oficina, uma das muitas realizadas durante o decorrer do projeto, trouxe aos jovens outro olhar a respeito da prevenção do HIV/AIDS. “Aprendi que é importante se prevenir e que não é só com a camisinha que estamos totalmente prevenidos, têm as pílulas, visitas ao médico, exames, que são muito importantes. Devemos passar para as pessoas, para nossos parceiros, nossos colegas, o quanto a prevenção é importante”, diz Maria Julia, de 14 anos.

E assim, os jovens deixaram a sala com bens muito importantes: a informação e a vontade de compartilhá-la. “A gente tem muito acesso à informação, mas aprendemos e não compartilhamos com os outros. Participar desse projeto mudou as coisas, porque passamos a falar com as pessoas sobre isso. Mais importante do que ter a informação, é passá-la para frente, e isso foi algo repetido sempre dentro do projeto”, pondera Diogo, de 23 anos.

O projeto Atitude Jovem visa capacitar jovens de 15 a 24 anos, da Serrinha e do São Carlos, com informações sobre as formas de prevenção do HIV e Doenças Sexualmente Transmissíveis, além de apresentá-los aos programas e às políticas públicas de saúde para jovens oferecidas pelo município. Ao fim do projeto, os jovens se tornam agentes multiplicadores, promovendo ações de mobilização nas comunidades para a sensibilização acerca do tema.

O Atitude Jovem  é realizado pelo CIEDS em parceria com a companhia inglesa ViiV Healthcare, que pesquisa e desenvolve medicamentos para combater o HIV, mas também apoia iniciativas de ações que gerem impacto positivo, por meio de parcerias com outras organizações.

Autor: Victoria Guimarães