Conquistas do projeto MAIS

22/10/2004

Foram dois anos de trabalho junto a um grupo de mulheres sergipanas que ganharam um novo status em suas comunidades ao assumirem mais que um novo papel, um novo compromisso com seus vizinhos.

“Eu considero o projeto um trabalho que eu aprendo através dele.” Beneficiária do Projeto. O CIEDS começou o trabalho em Sergipe, em 2003, prestando assessoria ao Governo do Estado na estruturação da Secretaria de Combate à Pobreza, da Assistência Social e do Trabalho, capacitação da equipe e desenho dos principais projetos e formulação de ações eficazes de inclusão social. Esses projetos chegaram a ser destaque na imprensa nacional. Com a estruturação da Secretaria, o CIEDS inicia a execução, em dezembro de 2004, do Projeto Mulheres Agentes da Inclusão Social, MAIS, que trabalha na formação e capacitação de 120 mulheres moradoras de comunidades de baixa renda de Aracaju para desenvolverem ações comunitárias e de organização popular.

O Projeto tinha, portanto, dois eixos – a capacitação das mulheres e a organização comunitária. Flora Alice do Nascimento, que coordenou o Projeto, constatou a existência de casos especiais de mudanças na vida desse grupo de mulheres. O simples fato de serem alçadas à uma posição de participação efetiva na comunidade é para elas uma mudança radical de seu papel social. Segundo Sonia Silva, consultora de projetos, que realizou um grupo focal com as mulheres para discutir resultados, erros e acertos do MAIS, é evidente que houve mudança de postura. “O papel exercido por essas mulheres promoveu o aumento da auto-estima, fazendo com que muitas beneficiárias se sentissem motivadas. Outro fator positivo foi o conhecimento da comunidade e de seus moradores”, diz Sonia. “Começamos a perceber não só os nossos problemas, mas olhar para o outro, ver outras pessoas com outros problemas.” afirma uma Beneficiária do projeto. Mas é preciso também considerar o outro eixo do Projeto. Tão importante quanto a promoção da participação da mulher foram os impactos dessa participação na vida comunitária.

O grupo teve a tarefa de trabalhar junto à comunidade levando informações práticas sobre diversos temas, principalmente meio ambiente. Uma das beneficiárias que participou do grupo focal observou mudanças no comportamento dos moradores de sua comunidade: “As pessoas achavam que o mundo era diferente, que podia acabar com tudo, destruir a natureza. A partir do momento em que o grupo MAIS começou a fazer um trabalho de conscientização, melhorou muito. Principalmente em relação ao lixo. As pessoas jogavam lixo nos rios, em qualquer lugar na rua.” Criança fora da escola é sempre problema. As Agentes da Inclusão Social não podiam deixar de focar sua ação nas crianças. O primeiro passo foi fazer um mapeamento de todas elas que por qualquer motivo estivessem fora da escola. Depois, de porta em porta, num trabalho minucioso e sistemático, visitaram suas famílias para entender os motivos e ajudar na solução do problema. Assumiam, assim, um pouco do papel de fiscais da cidadania.

O Projeto foi encerrado oficialmente em dezembro. Muitas mulheres manifestaram o desejo de que o projeto continue. Talvez sim, talvez não. Mas permanece o fato, independente da continuidade ou não, de que essas mulheres passaram por um processo irreversível: tomaram consciência do que podem fazer, criaram suas próprias formas e alternativas de ação. Foram assessoras, mediadoras, facilitadoras e educadoras nos possíveis processos de mudança. O CIEDS acredita que a organização popular é também uma ação e um espaço educativo. Vivenciou esse processo em Aracaju e sabe que as Mulheres Agentes da Inclusão Social levam com elas frutos e sementes desse trabalho. Sucesso a todas.