Cultura e identidade: caminhos para confiança no futuro

16/02/2022

Leia o novo artigo do diretor-presidente do CIEDS, Vandré Brilhante

Desde o início da atuação do CIEDS, há 24 anos, consideramos o território e a comunidade como polos de desenvolvimento. É onde estão as riquezas e as possibilidades. Onde estão pessoas com saberes, experiências de vida e histórias para contar. Esses elementos juntos, quando integrados com tecnologias sociais, ferramentas de colaboração, diálogo social, empreendedorismo, desenvolvimento e impacto positivo, criam confiança no futuro – saúde e educação, geração de renda e instituições locais fortes que permitam a participação social e garantam direitos. 

Em 2020, diante do cenário de pandemia do coronavírus, com a segurança alimentar da população em risco, o CIEDS decidiu criar o PNS (Pessoas e Negócios Saudáveis), que prevê a distribuição de refeições prontas a pessoas em situação de alta vulnerabilidade, em caráter emergencial. Mas o programa não se resume a isso. Tem também um forte pilar de fortalecimento de organizações de base comunitária e de micro e pequenas empresas que tiveram seus negócios afetados pela pandemia, em territórios com altos índices de pobreza e vulnerabilidade.

Em 2021, com apoio da Shell, atuamos para facilitar que as populações de 21 quilombos e de 13 colônias pesqueiras do Rio de Janeiro e do Espírito Santo pudessem, através do resgate e da potencialização de suas identidades e cultura, criar condições para um futuro melhor. Implementamos um programa de desenvolvimento comunitário, focado na produção de refeições, no resgate da cultura e da identidade e no afloramento das potencialidades locais para gerar trabalho e perspectiva de renda. Isso só foi possível porque atuamos nessas comunidades onde a identidade e a cultura estão fortemente presentes.

É o caso, por exemplo, dos quilombos. Estima-se que existam 3.475 comunidades distribuídas por todas as regiões do país, do Sul do Brasil à Amazônia (Fonte: Fundação Palmares). Em conjunto com a Acquilerj (Associação de Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro), visitamos territórios da Região Sudeste e nos deparamos com histórias usualmente não contadas, mas que carregam força e vitalidade. 

Já nas colônias de pescadores, ouvimos histórias de luta para a manutenção mais integrada das comunidades. Apesar de 98,7% dos pescadores serem artesanais no Brasil, eles concentram apenas 45% da produção, segundo dados de 2011, do Ministério da Pesca e Agricultura (Fonte: Revista de Desenvolvimento Econômico da Universidade de Salvador). No caminho, encontram adversidades, como falta de equipamento, embarcações antigas e concorrência desleal da indústria pesqueira. São homens e mulheres querendo se organizar melhor, baseados em suas identidades e culturas caiçaras.

Juntos, identificamos potencialidades e começamos a desenhar caminhos produtivos. A publicação "Esta Terra Não Foi Dada", por exemplo, conta as histórias dos quilombos, seus desafios e sonhos pelas palavras de suas lideranças. Essa identidade e cultura ainda se faz presente nos sabores e prazeres que passam de geração em geração. Por isso, também produzimos o livro "Receitas e Histórias", que traz o registro, não apenas de receitas, mas dessa identidade com a terra, que é uma ligação com a ancestralidade. Uma comida não se resume a uma receita, mas é um movimento coletivo de integração. É o que dá cola e faz com que a tradição continue. 

O desdobramento dessa atuação de 2021 é a criação, em 2022, da Rede Mobiliza, também com apoio da Shell e implementada pelo CIEDS, que visa dar continuidade a essa semente plantada. Para isso, daremos seguimento a processos de apoio para desenvolvimento de negócios, tanto nos quilombos, quanto nas colônias de pescadores.

Mais do que isso, estamos implementando uma rede de apoio coletiva, que junta não só empreendedores quilombolas e pesqueiros, com a Rede Mobiliza, mas também outros empreendedores do programas da Shell, como o Iniciativa Jovem. Teremos uma grande diversidade de jovens e adultos que irão cooperar e compartilhar conhecimento no processo de consolidação de seus negócios.

Tudo isso nos permite ver que é possível, através de um resgate desses grupos tão esquecidos, projetar sonhos e negócios geradores de renda e de uma vida melhor.

Por isso, convido todos a conhecerem os livros "Esta Terra Não Foi Dada" e "Receitas e Histórias"e se aprofundarem ainda mais nessas temáticas. O lançamento das publicações será quinta (17/2), às 17h, no Youtube do CIEDS. Clique aqui para assistir.

Texto por: Vandré Brilhante

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