Escola +Diversa busca combater LGBTfobia nas escolas

12/01/2021

Projeto surge após vivência de nossos colaboradores

Foi a partir da vivência de dois funcionários LGBTQIA+ da equipe do CIEDS que nasceu o embrião do projeto Escola +Diversa. A ideia inicial se desenvolveu, amadureceu e se transformou, especialmente em função da pandemia, mas o objetivo central segue o mesmo desde o princípio: contribuir para a criação de estratégias de combate à LGBTfobia no ambiente escolar para garantir o acesso à educação pela população LGBTQIA+ e, consequentemente, o seu ingresso no mercado de trabalho de forma qualificada.

“O projeto surgiu a partir da minha vivência como pessoa LGBT e sobretudo da [vivência da] Sthefany, que compartilhou com colegas do CIEDS o quanto o ambiente escolar era hostil, LGBTfóbico e opressivo”, conta João Vitor Pires, Assistente de Projetos Sociais do CIEDS.

Débora Silva, Coordenadora de Projetos Sociais do CIEDS, confirma que a vivência dos dois foi fundamental para a elaboração do projeto, e conta um pouco sobre a participação de Sthefany no processo: “O projeto surge inspirado na história da Sthefany, uma mulher trans que ficou 12 anos sem frequentar escola. Trabalhando no CIEDS, ela foi incentivada a retomar os estudos. Na fala dela, diz claramente que encontrou a mesma escola que a excluiu 12 anos atrás. Foi muito importante o olhar dela para os processos”, conta.

João Vitor relata que também passou por episódios de preconceito no ambiente escolar. “Tive vivências de LGBTfobia bem explícitas, virei chacota durante muito tempo. Isso implica muito na nossa construção de autoestima, no nosso desempenho escolar. Costumo dizer que existem alguns filósofos que dizem que a escola é lugar de socialização. Mas socialização para quem? Enquanto existem corpos diferentes, e não existe conversa da escola, a opressão acaba se perpetuando”, avalia.

Entendendo como fundamental o diálogo entre corpo docente, lideranças pedagógicas, famílias e alunos, o projeto tem como uma de suas propostas justamente a realização de rodas de conversa virtuais com jovens LGBTQIA+ de cada estado do Brasil. O objetivo é fazer um diagnóstico da experiência escolar deles, levantar sugestões para a superação do quadro de discriminação e violência na escola e elaborar propostas de ação para a criação de uma Escola +Diversa.

“Os encontros servem para o reconhecimento de ações excludentes e da população LGBTQIA+ no ambiente escolar, desenhando um plano de ação, para apoiar professores e estudantes no desenvolvimento da escola”, explica Débora.

Além disso, também está prevista a realização de um minidocumentário, chamado “Narrativas da Exclusão”. São pessoas LGBTQIA+ que sofreram violências ao longo de suas trajetórias escolares e profissionais. O filme fará parte do Mapa da Diversidade, uma espécie de caixa de ferramentas para apoiar o trabalho pedagógico com o tema da diversidade nas escolas, que contará também com um jogo e com roteiros de oficinas para uso em sala de aula.

O projeto foi selecionado pelo edital LGBT +Orgulho, que tem o Banco Itaú como parceiro financiador e a instituição Mais Diversidade como consultoria para acompanhamento da implementação. Com o objetivo de atender às escolas de todo o país, o projeto Escola +Diversa disponibilizará todos os materiais pedagógicos elaborados em um site, que tem previsão de lançamento para abril de 2021. E, após o retorno das aulas presenciais, a ideia é também oferecer oficinas para 20 escolas públicas nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

 

Texto por: Bruna Santamarina

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