Caju Lab reutiliza resíduos têxteis em projeto com mulheres empreendedoras

01/10/2020

Beneficiárias receberam formação e agora ficam à frente de cooperativa

Resíduos que seriam descartados pela indústria têxtil na região de Pacajus, no Ceará, são reaproveitados em um empreendimento coletivo de upcycling, liderado apenas por mulheres, no Caju Lab, centro de empreendedorismo, tecnologia e inovação do CIEDS no estado. Além da sustentabilidade, uma vez que a ação gera um impacto ambiental positivo na região, o projeto ainda tem um pilar de fortalecimento de gênero, pois as mulheres do território adquirem independência financeira com o empreendimento.

“Na ocasião do lançamento do Caju Lab, em outubro do ano passado, nós recebemos a doação de máquinas de costura da Florinda, uma marca de roupas. Inicialmente faríamos um curso de costura. Cheguei com a ideia de fazer o reaproveitamento dos resíduos têxteis que são descartados pela indústria de Pacajus, com a proposta de trazer junto mulheres do município”, conta Emanuelly Oliveira, consultora em empreendedorismo, inovação e projetos de desenvolvimento CIEDS no Ceará, à frente das atividades do Caju Lab.

As beneficiárias receberam 60 horas de formação para atuarem em conjunto, com oficinas de costura, macramê, bordado e até administração, marketing e empreendedorismo. Em função da pandemia provocada pelo novo coronavírus, todas as aulas precisaram ser adaptadas para o contexto de isolamento social. A mudança foi um grande desafio, levando em consideração a situação das mulheres envolvidas no projeto, a maioria com baixa escolaridade e vivendo um contexto de exclusão digital.

“O programa formativo começou em março, mas sofreu com a pandemia. Conseguimos dar 80% da formação no ambiente virtual. Foi mais fácil com as oficinas de empreendedorismo, precificação, gerenciamento, por exemplo. Agora, a gente está voltando com a prática, com o uso das máquinas e dos tecidos.”

A proposta é que a formação se desenvolva para virar um empreendimento coletivo. Ao todo, 16 mulheres terão a oportunidade de seguirem com o negócio, em um formato de cooperativa, com o maquinário do próprio laboratório, sediado no Pavilhão Francineida Brilhante, no mesmo complexo do Centro Cultural Maloca dos Brilhante (CCMB), do CIEDS.

“As próprias mulheres são encorajadas a liderar, a gerenciar esse projeto dentro do Caju Lab. É de suma importância. Não só no Brasil, mas no mundo ainda há uma desvalorização da mulher no mercado de trabalho. Elas têm que desempenhar uma série de atividades em casa pelas quais não são remuneradas, como o trabalho de casa e com os filhos. E, quando chegam ao mercado, sequer são remuneradas como os homens. Sem falar na questão da dificuldade para essas mulheres terem acesso a uma oportunidade de trabalho com horário flexível, que se adeque à situação em que ela se encontra, sobretudo porque são mães. É uma questão de fortalecimento de gênero que impulsiona a economia.”

Em breve, uma loja virtual vai ser criada, para ser um canal para que as peças criadas sejam vendidas em todo o Brasil. O e-commerce, com previsão de lançamento para outubro deste ano, vai trabalhar com peças de vestuário, mas também com brindes corporativos e outros itens. “Tudo é oportunidade de geração de renda para essas mulheres”.

“Elas puderam entender que gerenciar um empreendimento é um processo acessível para elas. Essa questão era estereotipada, restrita a homens engravatados e ricos. Elas nunca pensaram que poderiam ser empreendedoras. Com essa visão de fortalecimento pessoal que o projeto trouxe, elas passaram a perceber que têm protagonismo.”

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Crédito das fotos: Felipe de Sousa - voluntário de fotografia do CCMB/CIEDS

 

 

Texto por: Bruna Santamarina

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