A experiência de Dudu Gonsales como Jovem Monitor Cultural

21/09/2020

Aos 25 anos, Eduardo é asperger e atua na EMIA

São Paulo tem milhões de habitantes, espalhados por todas as regiões da cidade e todos/as muito diferentes entre si. Nossos/as jovens monitores/as culturais refletem essa diversidade do município e são todos/as diferentes em origem, experiências, personalidade e interesses. Vindos/as de muitas jornadas, os/as jovens representam muitos gêneros, raças, vivências e  incluindo dentro disso a presença de jovens PCD’s (pessoas com deficiências) no Programa Jovem Monitor/a Cultural. Eduardo Gonsales Campagna é um desses/as jovens com deficiência, sejam elas físicas ou intelectuais, que participam das formações e atuações. Inclusive criando seus próprios projetos e participando de seus próprios movimentos. 

Aos 25 anos de idade, Eduardo Gonsales, ou Dudu, é asperger e atua na EMIA – Escola Municipal de Iniciação Artística na Zona Sul de São Paulo. Mesmo com pensamento concreto, o jovem encontra algumas dificuldades na hora de interpretar metáforas e ironia. “Minha interação social às vezes fica comprometida por eu não saber usar os movimentos corporais e os gestos de comunicação não verbal” explica Eduardo. Porém, o jovem superou esse obstáculo durante sua formação no PJMC, criando sua própria rotina e trabalhando em muitas áreas do equipamento. Com novos aprendizados todo dia, Dudu fez catalogação, desenvolveu planilhas e ajudou na digitação de documentos. 

“Demonstrou inicialmente certa insegurança” diz a equipe do equipamento, "ele estava em um ambiente novo e com pessoas desconhecidas”. Para eles, o jovem teve um imenso crescimento enquanto monitor cultural e ser humano. Ao começar na EMIA, Dudu e a equipe conversaram e se conheceram, decidindo em conjunto quais seriam as ações mais adequadas para ele – para que ele ajudasse com as demandas e também fosse incentivado intelectualmente. Mas logo perceberam que o jovem estava aberto para novas atividades e interessado em se envolver o máximo o possível com o equipamento, por isso começaram a confiar mais deveres a ele. 

Os pais de Dudu o acompanharam durante os dois anos de atuação no PJMC e assistiram de perto sua evolução na EMIA. “O PJMC foi muito importante para o aprendizado e socialização do nosso filho” narra Tânia, sua mãe, “o Dudu ficou mais comunicativo, extrovertido, focado e interessado”. Agradecendo o cuidado e carinho que a equipe do PJMC e do equipamento tiveram com Dudu, ela vê o programa na vida de seu filho como um “divisor de águas”. Além do impacto que teve em seu filho, Tânia também adiciona: “espero que essa oportunidade seja estendida para outros PCD’s”, reforçando o quão fundamental o PJMC foi no desenvolvimento do Dudu.

Durante o fechamento temporário dos equipamentos, o jovem, como todos/as seus colegas, teve que mover seu trabalho para uma atuação de casa. Enquanto Dudu continua aprendendo muito em seu “home office” – tendo a oportunidade de desenvolver seu foco, de explorar ferramentas de reuniões online e acompanhar os vídeos das formações do PJMC, ele também sente muita falta dos relacionamentos que construiu durante o programa. “Nas formações teóricas, pude fazer muitos amigos e me senti acolhido, parte do grupo” ele narra sobre seus colegas jovens monitores, adicionando, “vou sentir muita falta do meu serviço e dos meus colegas quando o contrato acabar”.

O Programa Jovem Monitor/a Cultural foi, para Dudu, uma grande oportunidade de desenvolver novas habilidades, criar novos relacionamentos e explorar seus limites. O jovem impactou todos/as que entraram em contato com ele, “a sua contribuição nesses dois anos de convívio trouxe, a todos nós, momentos de grande aprendizado” narra Evandro, gestor da EMIA. O carinho que os/as que trabalham no equipamento e os/as seus/suas colegas jovens monitores/as têm para com Dudu se reflete na expectativa de seu gestor: “Esperamos que também o tenhamos atingido, da forma mais positiva e enriquecedora possível”.

Texto por: Pedro Furlan

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