De beneficiário a empreendedor: como a vida de Fábio mudou na pandemia

13/08/2020

Chefe de cozinha de Pacajus (CE) participou do Pessoas e Negócios Saudáveis

“O CIEDS tem mudado a vida de muitas pessoas.” Uma delas foi Fábio Almeida da Silva, o próprio autor da declaração. Ele foi beneficiário do projeto Pessoas e Negócios Saudáveis, uma iniciativa do CIEDS em parceria com Instituto Unibanco, Instituto Neoenergia, Shell e Instituto C&A. Nesta quarta (12), chegou à marca de 90 mil refeições distribuídas em três estados: Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará. O sucesso da atividade foi tão grande que, ainda nas primeiras semanas, Fábio acabou convidado para participar do projeto como empreendedor e fazer as refeições das famílias que, assim como ele, eram beneficiárias.

O chef, que tem formação gastronômica em cozinha contemporânea e especialização em cozinha italiana, é dono da empresa de buffet para eventos La Pasta Buffet, mas viu sua vida virar de cabeça para baixo com a chegada da pandemia provocada pelo novo coronavírus. Com todos os contratos cancelados, ficou sem fonte de renda e sem saber muito bem como cumprir com a responsabilidade de sustentar a esposa e os quatro filhos.

“O nosso segmento, voltado para festas, não poderia funcionar. Por conta disso, tive que ressarcir as pessoas e fiquei sem expectativa de trabalho. Não sabia como enfrentar esse desafio. A Maria [da Paz, coordenadora do Centro Cultural Maloca dos Brilhante] falou do projeto e resolvi aceitar. Pelo menos conseguiria atravessar esse momento recebendo feijão”, contou Fábio, sobre sua situação logo no início da pandemia.

Uma bela tarde, cerca de duas a três semanas depois, Maria da Paz voltou a ligar para Fábio, desta vez para lhe contar que o projeto havia sido ampliado e que novos cozinheiros precisariam ser contratados. E o chef foi um dos convidados da nova fase. Fábio, então, passou de beneficiário, que diariamente coletava as refeições para ele e a família, a um dos empreendedores do projeto, recebendo uma verba mensal para produzir as refeições.

“Num primeiro momento, me sentia impotente. Pensava: o que vou fazer? Meu negócio estava a todo vapor, eu estava muito entusiasmado, otimista para este ano. Quando veio a pandemia, foi um baque. Era muita preocupação. Não tinha capital de giro e não tinha recursos para passar três meses sem faturar. Na primeira semana, quando recebi a proposta para que eu e minha família recebessemos as marmitas como beneficiário, fiquei contente, senti que era um bom sinal, algo positivo. Não esperava que, depois de algumas semanas, receberia a proposta para assumir o desafio de produzir as quentinhas. Não sabia nem como agradecer, foi uma benção.”

Com a ampliação do projeto, Fábio conseguiu recontratar parte da equipe que trabalhava com ele no setor de eventos e empregar novas famílias que estavam na mesma situação de vulnerabilidade. Além disso, com o Pessoas e Negócios Saudáveis, o chef sentiu que tinha uma responsabilidade ainda maior ao cozinhar.

“O sentimento foi totalmente diferente, porque quando se produz algo para pessoas que estão comemorando é uma coisa, mas a refeição do projeto trouxe uma responsabilidade muito maior. A gente estava levando sorriso e esperança para as pessoas. Foi um trabalho excepcional, muito gratificante. Trabalhamos arduamente.”

Agora, com o fim do projeto em Pacajus, Fábio já começa a ver sua vida retomar à antiga normalidade, pouco a pouco. Já fechou alguns contratos para servir em eventos pequenos, como cafés da manhã ou encontros em família. E já começou a, novamente, negociar grandes eventos para o ano que vem, como o caso de um casamento 

“Antes do projeto terminar, já consegui agendar eventos. Me sinto otimista, com os ânimos aflorados para iniciar uma caminhada pós-pandemia. O projeto do CIEDS me ajudou a conseguir atravessar esse momento e, agora, estou novamente entusiasmado.”

Texto por: Bruna Santamarina | Foto: CCMB / Felipe Souza (@seuzedasfotos)

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