Migrantes, refugiados e brasileiros podem contar com mais oportunidades em Boa Vista

15/01/2020

Um novo elo surgiu no RIS para fortalecer o desenvolvimento da capital de Roraima

Sabe o que o Redes de Integração Socioeconômicas (RIS) inspirou nas fintechs Firgun, que nasceu para facilitar o acesso à crédito para empreendedores que historicamente têm dificuldades, e Banco Digital Afro, que está se preparando para lançar a modalidade de empréstimos de 100 a 1.000 reais para incentivar o desenvolvimento de negócios de afroempreendedores? A criação de mais um elo na rede para a prosperidade de Boa Vista!

Poucas pessoas olharam para a capital de Roraima como um lugar de oportunidades. Em contrapartida, o RIS chegou a cidade com a objetivo de incentivar a economia criativa e promover a construção de bases para que brasileiros, migrantes e refugiados venezuelanos desenvolvam seus projetos de negócio e iniciem ciclos de prosperidade e autonomia financeira. 

Para Rosane Santiago, Gerente de Articulação e Desenvolvimento Institucional do CIEDS, o desafio é “fazer negócios sem dinheiro”, já que muitos brasileiros de baixa renda e migrantes com iniciativas empreendedoras enfrentam dificuldades financeiras para fazer seus projetos tornarem-se realidade. “Muitos não tem comprovante de residência e não conseguem acessar serviços básicos, imagine demonstrar capacidade de pagamento e acessar crédito”. 

Pensando nisso, Lemuel, cofundador da Firgun, e Diego Reis, cofundador do Banco Digital Afro, se uniram. 

“Os venezuelanos são um grupo em situação de vulnerabilidade social em Boa Vista, por isso o interesse em financiá-los. Assim vamos apoiar o desenvolvimento de uma economia local e o estímulo à geração de empregos para venezuelanos recém chegados no país”, afirma Lemuel. 

Para ele, é necessário superar os desafios locais, como a falta de informações financeiras e de contas bancárias, por exemplos, já que a Firgun realiza análise de risco e avalia histórico financeiro. “Estamos adaptando nossos processos de comunicação para que estejam coerentes com a realidade de moradores de abrigos, que muitas vezes não têm internet ou outro meio de comunicação para atender aos requisitos para acessar crédito”.

E é justamente neste ponto que entra o Banco Digital Afro, que oferece o primeiro crédito para que as informações financeiras comecem a ser registradas e, então, empreendedores possam acessar os empréstimos da Firgun, que vão até 15 mil reais. “Entendemos que ninguém faz nada sozinho por isso sempre estamos em busca de pessoas que tenham o mesmo propósito e queiram ajudar outras pessoas”, ressalta Diego.

“Nosso objetivo de empoderar financeiramente o povo negro, pardo e refugiado, fomentando o consumo consciente, possibilitando que organizem sua vida financeira e criando um ecossistema de afroempreendedorismo”, fala Diego, que reforça como seu empreendimento pode impactar a vida de milhares de pessoas e ajudá-las a conquistar um futuro melhor. 

A iniciativa é do Grupo Afroempreendedor, que disponibiliza o acesso à crédito, fornecer ferramentas para a população que, até então, não movimentam a conta bancária há mais de seis meses ou que optaram por não ter conta em banco, e promove o movimento Black Money, iniciativa que promove o afroempreendedorismo. 

 

O Redes de Integração Socioeconômico (RIS) 

Executado pelo CIEDS em parceria com a Fundação Iochpe, apoio da Open Society Foundation e cooperação com PNUD e ACNUR, tem como objetivo a integração de brasileiros e migrantes venezuelanos, por meio de processos formativos em direitos e cultura, competências para a vida, empreendedorismo, fomento de geração de renda e o fortalecimento de organizações de base comunitária locais. 

A primeira etapa do projeto foi o mapeamento de informações e organizações parceiras para entender o território e os interesses da população e fazer as adequações necessárias para promover o desenvolvimento local sustentável. 

No segundo momento, as oficinas de formação apresentaram a lógica de novos modelos de negócios e o empreendedorismo como uma ferramenta para o construir o futuro trabalhando conceitos de inovação, design thinking, psicologia e competências cognitivas, interpessoais, intrapessoais e socioemocionais.

O passo seguinte foi a realização do Dia de Ideação Coletiva, evento de tecnologia e inovação promovido pelo CIEDS em parceria com cerca de 80 organizações. O objetivo foi promover um dia inteiro para pensar ideias de negócios, focando em soluções colaborativas para problemas do território. 

 

Inspirando empreendedorismo e parcerias  

O resultado de todo esse processo de mobilização e formação foi a realização do Inspira Boa Vista em agosto de 2019, evento que reuniu mais de 1.0000 participantes e 100 voluntários e ofereceu mais de 90 atividades gratuitas nas áreas de inovação, criatividade, economia colaborativa e digital, financiamentos, oportunidades de trabalho, serviços de saúde, lazer e recreação durante dois dias. 

Rosane conta que o objetivo de promover a integração social e econômica entre brasileiros, venezuelanos, mercado, agentes públicos e atores sociais já começou na organização do evento, realizada através da articulação e financiamento colaborativo de mais de 60 organizações e entidades parceiras, como cooperativas, universidades e empresários locais, ACNUR, CIEE, SEBRAE, PNUD, Sesi, Sesc, SENAC, ONU Mulheres, Open Society Foundation, entre outras como a Firgun e o Banco Digital Afro.  

 

Formação continuada para o desenvolvimento sustentável 

Fazer com que as pessoas saiam de suas “caixinhas” e criam projetos de negócios inovadores e sustentáveis é um desafio que vai além da realização do Inspira Boa Vista. “Entender os estágios de maturidade do território, se inspirar e propor requer tempo e muito planejamento”, diz Rosane. 

Por isso, o Inspira Boa Vista contou com trocas de experiências e bancas de apresentação de projetos de onde saíram 56 selecionados que vão participar da formação empreendedora que alia conhecimento técnico e científico com prática e conhecimento pragmático, e deve durar por 3 meses. 

Depois deste período, participantes passarão por uma nova banca e 10 projetos selecionados para serem incubados durante 1 ano, em cooperação com o Instituto Federal de Roraima (IFRR), com o objetivo de gerar renda para venezuelanos e brasileiros de baixa renda. “Queremos promover o empreendedorismo social, ético e ambientalmente responsável, como agente de transformação individual e coletivo que pode melhorar o território”. 

Ao final , o RIS terá promovido 18 meses de formação e criação de redes que visa à inclusão social e econômica e contribui para o desenvolvimento de Boa Vista.

Autor: Dayse Porto