A comunidade escolar constrói o futuro

A geração de 14 milhões de empregos fez diferença fundamental na diminuição do número de pessoas na linha da pobreza.

O Brasil tem 15 milhões de pobres, cuja renda mensal é inferior a R$140,00. Dentre eles, 12,4 milhões são indigentes - ganham menos que R$ 70. Considerando que há 10 anos tínhamos 30 milhões de pobres, o avanço na diminuição da pobreza foi espetacular. 

Todos sabemos que cabe aos governos orientar suas atuações para a educação em todos os seus níveis, especialmente para crianças e jovens pobres. Mas a educação deve ser vista como processo participativo, que envolve a corresponsabilidade de professores e pais, alunos líderes comunitários, governos e sociedade civil. Nesse sentido, o projeto Bairro Educador, da Secretaria Municipal de Educação, é exemplo de iniciativa vital para o aumento da escolaridade. Com o apoio da ONG Escola Aprendiz, o Cieds atua em 200 escolas e creches municipais, situadas nas áreas com maiores índices de conflitos armados. O programa integra planos de aulas, uso do bairro como espaço ampliado das escolas, atividades culturais e esportivas e capacitação de professores e diretores.

Os resultados aparecem quase que de imediato. Diretoras de escolas desmotivadas com promessas e projetos passageiros hoje se reúnem com parceiros locais, mobilizam professores e alunos em planos de aulas divertidos e eficazes. Pessoas das próprias localidades assumiram a escola como um bem da comunidade, uma instituição que promove o desenvolvimento educacional, cultural, social e humano de seus filhos. A comunidade pode ver na escola o motor de mudanças que ajuda a construir um futuro melhor.

O desenvolvimento, jargão tão usado por economistas e políticos, tem aqui uma cara real e atual. Nas escolas e bairros onde o projeto está e onde há ações de segurança, como as UPPs, já mostram resultados. A escola e a educação ganham destaque na garantia da paz e da melhoria do desenvolvimento econômico. O projeto é um exemplo concreto de uma política pública acertada e consertada entre vários atores sociais. 

Veja o artigo publicado no Jornal O Dia.

Autor: Vandré Brilhante - Economista e Diretor-Presidente do CIEDS