Todas as Publicações

  • Juventude 2030: caminhos e aprendizados para um mundo sustentável

    Resultado do trabalho de um ano desenvolvido pelo programa Jovem Jornalista, a publicação “Juventude 2030: caminhos e aprendizados para um mundo sustentável” traz a visão e a voz de seus jovens participantes na busca por iniciativas da própria juventude que contribuem para uma sociedade mais sustentável e justa, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

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  • Censo CBVE 2016

    Desde 2015, o Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial (CBVE) tem elaborado o Censo das entidades associadas, cujo intuito é verificar o perfil da atuação voluntária do CBVE no ano decorrente. Este relatório apresenta os principais resultados extraídos do Censo CBVE 2016, traçando uma comparabilidade com o que foi levantado em 2015, e permite perceber o avanço do voluntariado empresarial no panorama brasileiro.

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  • Governança no Terceiro Setor

    Hoje, o que se esperava era que os arranjos sociais, instituições e organizações públicas, estivessem mais equilibrados, porém ainda não conseguimos constatar esse fato.

    Não podemos negar que o papel das empresas privadas ainda é muito relevante nesse processo contínuo de transformação que tende naturalmente ao desequilíbrio frente as discrepâncias de recursos: humanos, naturais, tecnológicos ou financeiros. Porém, cabe destacar, que somente estas organizações não são suficientes para o tão esperado desenvolvimento social.

    Então, frente a esse contexto, há algum tempo foram criadas organizações que, mesmo de caráter privado, possuem objetivos estatutários associativos ou de interesse público, com foco em ações e atividades voltadas para a promoção humana e o bem-estar social. Estas organizações, denominadas “terceiro setor”, têm um grande desafio: navegar nos caminhos da gestão de excelência com transparência, equidade e prestação responsável de suas contas.

    Os princípios e práticas de Governança, apesar de terem sido, num primeiro momento, desenvolvidos para o setor empresarial, podem ser adotados e incorporados ao fazer das OTS e trazer benefícios para estas, por meio de alinhamentos estratégicos em busca de melhores práticas e sustentabilidade. Silveira (2015), afirma que as boas práticas de governança agregam valor à atividade, reduzem conflitos de interesse, melhoram o desempenho e contribuem para a perenidade das organizações.

    O Guia das Melhores Práticas de Governança para Fundações e Institutos Empresariais (2016), diz que “o aprimoramento da Governança é um esforço contínuo que, no Brasil, não findou com a lei das OSCIP”, é preciso expandir “as boas práticas de Governança para todas as organizações da sociedade civil, estabelecendo assim as bases do que poderá ser o sistema de autorregulação do terceiro setor”. Ainda segundo o guia, “seus principais agentes - sejam eles financiadores ou executores de projetos - podem e devem adotar práticas que sirvam de exemplo para os demais, reforçando a legitimidade do setor”.

    Corroborando com as discussões da necessidade de aprimoramento, profissionalismo, legitimidade e legalidade das OTS, o Governo Federal, institui o Novo Marco Regulatório do Terceiro Setor*, que “estabelece o regime jurídico das parcerias entre a administração pública e as organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em planos de trabalho inseridos em termos de colaboração, em termos de fomento ou em acordos de cooperação; define diretrizes para a política de fomento, de colaboração e de cooperação com organizações da sociedade civil; e altera as Leis nos 8.429, de 2 de junho de 1992, e 9.790, de 23 de março de 1999.”

    E é nesse cenário que OTS como o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável, o CIEDS, vêm trabalhando para implementar sistemas de governança institucional com processos que priorizam a transparência, a equidade e a responsabilidade.

  • Estudo de caso: o olhar das empresas para a inclusão

    O contexto histórico das pessoas com deficiência se baliza no preconceito, na marginalização e na exclusão. As formas como foram e são tratadas as pessoas com deficiência na sociedade estão relacionadas a mitos, preconceitos e estereótipos presentes nesta sociedade. Historicamente a construção do paradigma da deficiência passou por diferentes significados que tomaram como elemento primordial o aspecto das incapacidades das pessoas com deficiência para constituição da sua identidade social.

    Por muito tempo elas foram excluídas e marginalizadas das relações sociais. Muito mais tarde com o paradigma da integração social, as pessoas com deficiência começaram a serem inseridas, mas desde que se adaptassem às condições impostas pela sociedade.

    No caso brasileiro foi com a Constituição Federal de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, que as pessoas com deficiência começam a serem incluídas nas legislações e políticas públicas. A partir dessa, inicia-se o processo conhecido como inclusão social desses indivíduos que da condição de “inválidos”, “incapazes”, “excepcionais”, “anormais” se tornaram cidadãos e cidadãs de direitos.

    É e a partir da constituição que são assegurados os direitos: direito à saúde, incluindo habilitação e reabilitação; o direito ao transporte como meio de deslocamento ao trabalho, a tratamento médico, e a outras atividades da vida cotidiana; o direito a vida familiar saudável; o direito a educação, que deve ser sempre ministrado, tendo em vista a necessidade da pessoa com deficiência; o direito ao lazer, além da proteção visando à integração e inclusão social. Um marco legal importante é a Lei 8.213/91, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência e dá outras providências á contratação de portadores de necessidades1 especiais, conhecida como lei de cotas para pessoas com deficiência.

    O presente trabalho tem por objetivo um estudo de caso de cinco empresas do município do Rio de Janeiro que vivenciam a implementação da Lei 8.213. Busca-se identificar no estudo de caso quais são os principais desafios bem como os resultados obtidos pelas empresas que implantaram a referida lei.

    Este estudo de caso é um dos produtos do Projeto de Pesquisa Mapa de Nós, desenvolvido pelo Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS), Rio de Janeiro, e que se realiza pela união de esforços entre o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP) e o Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ).

    Procurou-se através do estudo de caso compreender o perfil das empresas pesquisadas, identificando o processo de recrutamento, se há ou não distinção de deficiências para seleção dos candidatos, se foi necessária a adaptação do ambiente dentre outros temas pertinentes ao objetivo aqui proposto.

    A referida pesquisa se justifica e se faz necessária, pois, apesar da Constituição Federal de 1988 e das legislações subsequentes garantirem os direitos das pessoas com deficiência, estas continuam a enfrentar barreiras para sua participação como membros da sociedade e a sofrerem violações de seus direitos.

  • Uma análise psicossocial da lei de cotas

    O presente artigo tem por objetivo discutir o tema empregabilidade e a deficiência, tomando como recorte e objeto de análise a Lei 8.213/91 que refere as cotas para pessoas com deficiências em empresas dando ênfase aos aspectos psicossociais que fazem parte do cotidiano dos atores sociais envolvidos na questão. Trata-se de um tema de relevância acadêmica e social, tendo em vista a complexidade da contingência histórica-social-cultural. Para atingir o objetivo proposto, faz-se uso do referencial teórico da antropologia e sociologia, articulados com a psicologia social crítica. Enquanto metodologia aplicada ao estudo, utilizou-se a análise documental do projeto “Mapa de Nós”, coordenado pelo Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável - CIEDS.

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  • Lei de Cotas e inclusão de pessoas com deficiência

    O artigo se ancora no percurso sócio- histórico da legislação de cotas para inclusão social de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Sistematiza os avanços na inclusão social em empresas, cujo contexto demonstra que existem vários modelos adotados por elas e estes estão orientados por visões ora de responsabilidade social, ora apenas para o cumprimento da lei, com processos conduzidos muitas vezes sem um projeto estruturado e voltado para uma inclusão ética e responsável. Tem como base referencial, primordialmente a Lei 8.213/91, a partir de um olhar empírico no âmbito do Projeto “Mapa de Nós” buscando demonstrar a realidade social de inclusão social no mundo do trabalho de Pessoas com Deficiência em dez comunidades pacificadas na cidade do Rio de Janeiro.

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  • Perfil dos trabalhadores com deficiência Mapa de Nós

    Este artigo tem por objetivo apresentar o perfil dos trabalhadores com deficiência entrevistados no Projeto “Mapa de Nós”, baseando-se na ‘Análise dos dados coletados de cento e quatorze pessoas no mercado de trabalho, conforme a Lei 8.213/91’, subsidiada através de informações colhidas via entrevista semiestruturada, realizada entre Novembro de 2015 e Março de 2016, pelo Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável – CIEDS. Além do instrumento supracitado, as reflexões aqui produzidas terão apoio na análise de documentos nacionais, à exemplo de dispositivos legais e políticas públicas, além de revisão bibliográfica sobre o tema ‘empregabilidade das pessoas com deficiências’.

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  • Empregabilidade e deficiência: demandas e dilemas

    Neste estudo, abordamos as novas demandas sociais advindas das transformações no mundo do trabalho, com o objetivo de discutirmos a empregabilidade das pessoas com deficiências. Os seguintes questionamentos permearam o debate: Como obter boas oportunidades de trabalho sem ter acessado à escola (ou tê-la feito precariamente)? Como acessar a escola e o trabalho sem ter sido atendido num serviço de habilitação/reabilitação e demais atendimentos básicos de saúde? Como se deslocar para o trabalho ou para qualquer outro espaço sem acessibilidade? Como realizar as atividades sem as condições necessárias para fazê-las? Para tal fim, utilizamos a pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico. Consideramos que a falta de informação sobre as múltiplas singularidades das pessoas com deficiências é um dos desafios enfrentados para a efetivação de direitos, o que dificulta também sua inserção no mundo do trabalho.

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  • Prata da Casa CBVE 2016

    “Prata da Casa” é uma expressão que remete a algo de melhor que temos a oferecer em um determinado aspecto. A publicação Prata da Casa do Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial - CBVE busca justamente isto: dar luz aos cases de sucesso de voluntariado desenvolvidos pelas empresas-membro do Conselho. 

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  • INFOCIEDS 147

    Ô, de casa! É o projeto Mapa de Nós!

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  • Mapa de Nós

    Esta publicação é fruto da soma de esforços de diferentes atores sociais para ampliar e garantir os direitos da pessoa com deficiência, em especial nos campos da empregabilidade, políticas públicas e participação social. Ela apresenta os desafios a serem superados para consolidar as conquistas alcançadas na política de inclusão e convida o leitor a descobrir as potencialidades de 945 pessoas com deficiência entrevistadas em dez territórios pacificados. 

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  • INFOCIEDS 146

    Assistência Social: Uma política de direitos.

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  • INFOCIEDS 145

    Somos brasileiros com muito orgulho, com muito amor.

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  • CIEDS: oportunidades para aqueles que mais precisam

    Entendemos que combater a pobreza é realizar ações de fortalecimento do cidadão que mais precisa, seja promovendo a educação, a melhoria de sua saúde, o aumento de sua renda e por consequência, contribuindo para que sua comunidade seja um lugar com mais qualidade de vida para se morar.

    Atuamos com orientação econômica para a comunidade e o trabalhador, formação de cooperativas e criação de pequenos negócios orientados ao mercado local. Na área da saúde temos desenvolvidos mecanismos de capacitação e monitoramento de programas de saúde comunitária. Criamos o programa formação de cuidadores de idosos como um forte elemento gerador de trabalho e dignidade.

    E como complemento, temos inserido o protagonismo juvenil, o resgate das manifestações culturais e a educação formal supletiva como elementos de enriquecimento e aliados sustentáveis na erradicação da pobreza.

    Não temos receitas pré-estabelecidas para cada cenário. Temos a experiência e a vivência na formulação de propostas eficazes voltadas para cada realidade. Temos uma equipe multidisciplinar, qualificada e humanizada.  Temos no aproveitamento e valorização da diversidade cultural, racial, social, sexual e étnica nossa grande fortaleza no sucesso de nossos programas.

    Entendemos que a riqueza do Brasil está em sua diversidade e valorização das experiências acumuladas em cada iniciativa dos empreendedores, seja em uma comunidade carente, ou em uma grande empresa.

    Esse conjunto é o CIEDS, um centro que integra valores, experiências, pessoas e sonhos na construção de oportunidades para aqueles que mais precisam de oportunidades de uma vida melhor. Uma instituição que tem como desafio contribuir para melhorar as políticas públicas, a ética na gestão e a valorização do homem, do jovem e da mulher brasileira.

  • Guia do Disseminador

    O Guia do Disseminador oferece instrumentos, metodologias e ferramentas práticas que possam fortalecer o trabalho utilizando o esporte como ferramenta de transformação social com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. 

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  • INFOCIEDS 144

    Somos um jovem que confia no futuro.

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  • INFOCIEDS 143

    Loucura não se prende.

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  • Craque do Amanhã - Esporte, Escola e Família

    O Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo no que concerne à defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes. A Lei n° 8069/90, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente - foi qualificada pela UNICEF  como um dos instrumentos legislativos mais avançados do mundo, é o ponto alto desta legislação. Em que pese os avanços observados após o advento da legislação em tela, ainda existem muitas lacunas, no que concerne aos direitos das crianças e dos adolescentes, que precisam ser preenchidas e onde a ação do Estado deve avançar.

    Com o Estatuto, crianças e adolescentes passaram ao status de sujeitos de direitos, em igualdade de condições com todos os demais cidadãos, à exemplo do que já deixava claro o art.5º, caput e inciso I da Constituição Federal brasileira, onde se observa a seguinte redação: "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros (...) a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança, à propriedade, nos seguintes termos:", e "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição".

    São assegurados e devem ser garantidos às crianças e adolescentes, como sujeitos de direitos, o conjunto de direitos fundamentais: o direito à vida e à saúde; o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade; o direito à convivência familiar e comunitária; o direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer; o direito à profissionalização e à proteção ao trabalho.

    Observa-se, entretanto, que as crianças e adolescentes ainda sofrem o impacto das desigualdades sociais, diferenças essas que são manifestadas em problemas como miséria, violência, desemprego, desnutrição, fome, trabalho infantil, exploração sexual, mortalidade infantil, evasão escolar, educação de baixa qualidade e drogadição.

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  • INFOCIEDS 142

    Seja a mudança que você quer ver no mundo.

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  • Juventude

    Para entendermos como surgiu o conceito de juventude, se faz necessária uma análise histórica que fez com que houvesse o surgimento de tal conceito. Até o século XIX só havia dois tipos de termos utilizados para diferenciação entre os indivíduos, criança ou adulto. A adolescência aparece em meio a transformações e o protagonismo de ações rebeldes por jovens que marcaram toda uma geração, fugindo dos únicos dois conceitos da época.

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  • Educação Integral

    Entende-se hoje como educação integral, todo e qualquer tipo de ação que possa de alguma forma atender a todas as dimensões do desenvolvimento humano, sendo um processo contínuo por toda a vida do indivíduo. Assim sendo, o conceito de educação integral não está configurado como uma modalidade de educação, mas sim, a sua própria definição, englobando todas as ações sociais que fazem parte do processo de desenvolvimento do indivíduo.

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  • Redes de Educação Integral

    São Luís guarda uma vivacidade, um vigor cultural, uma juventude alegre e um povo hospitaleiro.

    Em 11 de dezembro de 2015 reuniram-se no Grand Hotel São Luís, localizado no centro histórico da cidade, líderes de organizações comunitárias, escolas comunitárias, associações, ONGs, representantes do poder púbico e de empresas privadas para o II Encontro da Rede de Educação Integral São Luís.

    Organizadas em quatro grupos temáticos: (a) desenvolvimento institucional; (b) famílias; (c) integração escola e comunidade; (d) territórios, esses organizações construíram um plano coletivo de ações, metas e objetivos que possa potencializar os resultados das ações empreendidas individualmente, na perspectiva de educação integral.

    Ao som de uma canção popular maranhense, foi que começamos: “maçariquinho na beira da praia, como é que a mulher roda a saia é assim... é assim... é assim... olê lê lê... é assim que a mulher roda a saia.”

    Sabemos que: “nenhum homem é uma ilha”; “uma andorinha só não faz verão” (ou pelo menos é mais difícil).

    Entretanto, porque muitas das vezes preferimos seguir carreiras solo? Porque achamos que sozinho seríamos capazes de enfrentar a complexidade das mazelas contemporâneas.

    O desafio da atuação em rede é um ponto chave da nossa sociedade contemporânea. Construir coletividades, reconhecer as relações e elos de interdependência, assimilar que apesar de diferentes e diversos, podemos e devemos pensar em nossos aspectos de complementariedade e assim contribuir efetivamente para uma sociedade mais feliz, mais próspera, mais integral e integrada, mais plena.

    Está claro que um dos pontos chave desse processo é estabelecer relações de redes de confiança entre esses atores.

    Tilly (2013)  aponta que “redes de confiança são conexões interpessoais ramificadas, constituídas principalmente por lações fortes, no âmbito dos quais as pessoas dispõe de recursos e empreendimentos valiosos, importantes e de longo prazo, que de outro modo, estariam sujeitos a malfazeres, erros e falhas.” (p.88)

    O autor destaca que o fortalecimento desses elos é condicionante para a consolidação dos processos de democratização.

    Fica claro, ao observar as falas e a integração da Rede São Luís, que um dos aspectos de resultados em 2015, foi justamente o fortalecimento dos elos de confiança entre atores locais.

    O CIEDS na esteira desses entendimentos e estratégias têm junto com seus parceiros estimulado e apoiado continuamente o fortalecimento de redes locais para a prosperidade.

    Sendo certo que ao falarmos de prosperidade pretendemos ir além da perspectiva econômica, mas tratando também e principalmente de aspectos sociais e ambientais.

    Essa ação, que finaliza as ações do projeto em 2015 e nos convida a 2016, deixa-nos o desafio de consolidar e sustentar uma atuação em rede, convidando e trazendo novos atores, aumentando os elos de confiança e assim efetivamente contribuir para uma educação verdadeiramente integral.

    Saí de São Luís muito feliz e honrado em participar de tão bela culminância. Que sigamos juntos em direção a um mundo mais justo, mais equitativo, mais democrático e mais feliz. 

  • INFOCIEDS 141

    Informação transformada em conhecimento.

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  • Guia de Oportunidades Educacionais

    A partir de dicas, sugestões e exemplos, o Guia de Oportunidades Educacionais busca auxiliar jovens estudantes a ingressarem no ensino superior. O Guia atua como um fomentador de perspectivas e oportunidades, seguindo os moldes do projeto Jovens Urbanos, que concluiu seu primeiro ano na cidade do Rio de Janeiro. O projeto Jovens Urbanos é idealizado pela Fundação Itaú Social e conta com supervisão técnica do CENPEC e realização pelo CIEDS.

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  • Relatório de ações em consonância com Pacto Global da ONU

    Ser signatário do Pacto Global da ONU é de extrema importância, uma vez que atesta o compromisso institucional em adotar valores fundamentais e internacionalmente aceitos. Fazer parte da comunidade empresarial internacional que adota a sustentabilidade em suas práticas de negócios concede ao CIEDS uma credibilidade extra para a promoção dos mesmos valores em todos os projetos desenvolvidos.

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  • CIEDS actions in line with the Global UN Covenant

    Being a signatory of the UN Global Compact is of extreme importance since it certifies our institutional commitment of adopting fundamental and internationally acclaimed values. To be part of the international company community that applies sustainability as foundation of their practices, denotes an extra credibility for CIEDS’s promotion of those same values onto all of its developed and developing projects.

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  • Redescobrindo o Centro do Rio

    Nesta cartilha, você irá conhecer um pouco da história do Rio de Janeiro e dos bairros que compõe o Centro da cidade: Castelo, Lapa e Santa Teresa. A leitura desta publicação é um estímulo à curiosidade de leitores em busca de novas histórias e curiosidades sobre o Rio. Essa cartilha é uma produção do projeto Cuido do Meu Destino, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e TAM Linhas Aéreas com produção do CIEDS.

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  • Cultura, Turismo e Patrimônio

    Este livreto oferece ao leitor uma reflexão sobre temas relevantes para a valorização e preservação das cidades, estimulando o debate sobre preservação ambiental, ocupação e apropriação de espaços públicos e promoção de consciência turística. “Cultura, Turismo e Patrimônio” é uma produção do projeto Cuido do Meu Destino, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e TAM Linhas Aéreas com produção do CIEDS.

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  • Oportunidades Culturais - Guia de Recursos de Formação

    Desdobramento do projeto de Formação de Jovens Agentes de Cultura, o guia foi elaborado a partir dos resultados das ações formativas ao longo do curso com o propósito de difundir informações sobre as iniciativas locais e da cidade, ampliando assim, as possibilidades de aproximação, interlocução e divulgação das múltiplas ações realizadas pelos Jovens Agentes de Cultura, dos dezenove territórios onde o projeto aconteceu.

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  • INFOCIEDS 140

    Transformando vidas. Mudando negócios.

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  • INFOCIEDS 139

    Por que fortalecer a juventude?

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  • Batizado de Bonecas Negras

    Este artigo apresenta um desdobramento de uma experiência no município de Armação de Búzios que contou com o apoio do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS), organização responsável pela moderação e secretariado da Rede Sustentável de Relacionamento da Cidade Inteligente de Búzios, capitaneado pela AMPLA em parceria com parceiros locais, institutos de pesquisa e universidades. A Rede se configura enquanto Tecnologia Social para a articulação de atores locais visando a consolidação efetiva de um modelo de cidade inteligente, a partir do fortalecimento do capital social como fator fundamental para o desenvolvimento local. É com este pano de fundo que se pretende aqui apresentar a experiência da atividade denominada “Batizado de Bonecas Negras”, encabeçada pela Rede como parte do processo de fomento ao empreendedorismo feminino na cidade de Búzios, além do fortalecimento do capital social de grupos até então pouco envolvidos nos processos de geração de renda local.

    O Batizado de Bonecas Negras se apresenta enquanto uma grande possibilidade no que tange ao desenvolvimento local de grupos quilombolas utilizando como ferramenta principal o resgate da cultura negra e seus elementos, a partir da interação e cooperação entre segmentos sociais e institucionais do território e estímulos a reflexões coletivas e ações autogestionadas. A metodologia de pesquisa utilizada é empírica, aplicada e de caráter exploratório, utilizando método dialético para a análise de dados e abordagem qualitativa.

    Acesse o artigo na íntegra

  • INFOCIEDS 138

    Saúde em 1 clique.

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  • INFOCIEDS 137

    Ampliando oportunidades e caminhos.

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  • Redes para a Prosperidade

    A cada final de ano sempre ouvimos de nossos pais, avós e amigos desejos de felicidades e prospero ano novo.  A palavra prosperidade no nosso dia a dia está muito associada ao aumento de riquezas e bens.  Todavia, se formos ao dicionário e a raiz da palavra, temos que Prosperidade (do latim prosperitate -a, -um, que vai bem, feliz), refere-se à qualidade ou estado de próspero, que, por sua vez, significa ditoso, feliz, venturoso, que se desenvolve bem, bem-sucedido, que favorece ou ajuda, afortunado.  Sua raiz vem do latim PROSPERUS, de PRO SPERE, “de acordo com as expectativas”

    Através de nossa atuação, desejamos de fato uma vida prospera para todos os brasileiros, de acordo com as garantias de bem estar estabelecidas para todos os brasileiros em nossa constituição magna.  E é com este significado e mote, que buscamos em cada ação do CIEDS construir pontos irradiadores de prosperidade que interligados e conectados de forma cooperativa e participativa formam redes para a construção de vidas melhores para todos nós, com mais saúde, educação, segurança, cidadania e governança.  E acima de tudo, com mais confiança no futuro. 

    Uma comunidade, sociedade ou mesmo grupo somente são empoderados  e fortalecidos para ações de desenvolvimento quando conectados em redes colaborativas promotoras de aprendizagem e apoio mutuo.  Este processo em rede busca resgatar o poder da ação mobilizadora e transformadora de grupos, da sociedade organizada e também de indivíduos que através de suas ações multiplicadoras, estimulam ações colaborativas e positivas. 

    Projetos de melhoria dos processos educativos nas escolas, de empreendedorismo geradores de renda, de inclusão social de mulheres e jovens, formam as redes estratégicas e sustentáveis - que quando conectadas às ações estruturantes de políticas publicas, de empresas responsáveis, de universidades, organizações não governamentais, sindicatos e de todos os atores ativos da sociedade  - resulta em prosperidade para todos. 

    Uma sociedade é mais forte quando suas “redes são mais solidas e ao mesmo tempo flexíveis para articular e envolver ações conjuntas promotoras do bem estar e da prosperidade coletiva de seus cidadãos”.  O CIEDS promove a construção de redes para a Prosperidade e confia que suas ações buscam imprimir impacto duradouro e continuado dos processos de transformação e desenvolvimento das pessoas.

  • Queremos que o Brasil seja uma pátria educadora?

    O gigante se diz acordar para a educação e o segundo mandato da Presidente Dilma adota o lema “Brasil, pátria educadora”. Mas será que o Brasil é mesmo essa pátria? Estamos todos nós, cidadãos, governos, empresas, sindicatos, associações e mídia preparados, para, primeiro, compreender o que é ser um educador e, em seguida, tornar-se um educador?

    Por décadas e décadas fomos orientados que educação é responsabilidade das escolas e quando muito da família, mas hoje temos um país afundado em uma crise educacional, social e moral que nos impede de continuar crescendo economicamente e, acima de tudo, nos impede de construir uma sociedade mais colaborativa, ética e respeitosa. Um país em que professores paralisam as atividades por causa de seus salários precários, em que mais de 500 mil jovens tiram zero na redação do Exame Nacional do Ensino Médio, em que apenas três em 20 crianças que ingressam na Educação Básica conseguem concluir o Ensino Médio com aprendizado adequado e dão continuidade aos estudos no Ensino Superior.

    Não temos mais opção. Somos obrigados a repensar essa tal educação e trazer para nós mesmos esta responsabilidade.

    A mídia e as falas mais inflamadas de nossos governantes pregam o óbvio: é preciso acabar com a corrupção, com a violência, com as mortes no trânsito, com o abuso e com a desordem social. Mas, raramente ouvimos discursos ou manchetes de jornais chamando cada um de nós brasileiros a assumir seu papel. Um papel de cidadão ou de instituição educadora que fortalece a escola do bairro e o senso de vizinhança; que combate os pequenos delitos; que está atento aos problemas que acontecem ao seu redor e que, acima de tudo, se movimenta para mudá-los.

    Reverter este cenário onde a educação é delegada somente às escolas requer uma politica de estado, conversada e pactuada por todos, onde poder público, setor privado, sociedade civil e cada um dos cidadãos entendam claramente o seu papel e desenhem seus planos educadores. Se cada um de nós fizer sua parte, apoiando processos educativos nas mais diversas esferas, e em especial nas escolas, teremos sim uma pátria educadora.

    Vencer este desafio é possível e necessário. Construir um futuro melhor começa, primeiramente, por confiar que o futuro será melhor. Por isso precisamos nos engajar e assumir nosso papel de cidadão responsável pelo futuro que queremos.

    Uma pátria envolve questões geográficas, afetivas, culturais e históricas. Uma pátria é composta por seres humanos que, juntos, se reconhecem, se relacionam e se envolvem com ela. Uma pátria educadora estabelece políticas norteadoras para a sociedade se pautar, cobra dos governantes seriedade, ética e compromisso, estimula iniciativas que formam cidadãos educadores. Uma pátria educadora educa 24 horas por dia, em todos os canais e lugares. Uma pátria educadora tem educação melhor e gera mais paz, mais justiça, menos pobreza e mais prosperidade.

  • INFOCIEDS 136

    CIEDS no ranking das melhores ONGs do mundo.

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  • Fortalecimento de políticas de educação integral

    O  presente  trabalho  tem  como  objetivo  socializar  a  experiência  sistematizada  do  Projeto Pontes  para  o  Futuro, realizado  pelo  Centro  Integrado  de Estudos  e  Desenvolvimento Sustentável  (CIEDS),  em  parceria  com  a  Fundação  Itaú Social  e  a  Secretaria  Municipal  de Educação,  na  Escola Municipal Santo  Tomás  de  Aquino,  localizada  no  bairro  do Leme, cidade  do  Rio  de  Janeiro.  O  projeto  foi  desenvolvido  durante  os  anos  de  2012  e  2013,  e atendeu aos estudantes das turmas do oitavo e nono ano. 

    O  projeto  foi  pensado  em  consonância  com  as  diretrizes  do  Plano  de  Desenvolvimento  da Educação (PDE) e com a lei 5.225 de 11/09/2010 que versa sobre a Escola de Tempo Integral e  em  seu  Artigo  1º  estabelece  turno  único  de  sete  horas em  toda  a  rede  de  ensino  público municipal,  no  prazo  de dez  anos,  a  razão  de  10%  ao  ano.  O  PDE  indica  ações voltadas  à ampliação  do  tempo  de  aprendizagem  dos  estudantes  e  à  qualificação  dos processos  de ensino, com participação dos mesmos em projetos socioculturais.

    O  Projeto  teve  como  objetivo  testar  metodologias  e  sistematizar  estratégias  e  ações  de qualificação e fortalecimento da política de educação integral, por meio de um conjunto de ações  socioeducativas  que  valorizem  a  escolarização  como  o melhor  investimento  para  um futuro mais promissor e que contribuam para a redução dos índices de evasão na transição do ensino fundamental para o médio.

    Para  atingir  esse  objetivo  o  CIEDS  desenvolveu  metodologia  baseada  nas  seguintes premissas:  professores corresponsáveis  perante  o desenvolvimento  das  ações;  aproximação entre escola e comunidade, incluindo novos atores sociais e familiares no processo educativo, ações implementadas de forma orgânica com o cotidiano escolar.

    O  conjunto  de  ações  socioeducativas  planejadas  com  o  corpo  docente  da  escola  incluiu  as seguintes estratégias: realização de Oficinas Temáticas; visitas às Instituições de Ensino e aos espaços  laborais;  encontros  motivacionais  e elaboração  de  Plano  de  Estudos;  Oficinas  – Perspectivas  de  futuro; Feira  das  Profissões;  Roda  de  Conversa  com  os responsáveis (produção do Guia de Oportunidades Escolares).

    Oficinas temáticas tiveram como conteúdos norteadores os macrocampos do  Programa Mais Educação,  a saber: Acompanhamento Pedagógico; Cultura e Artes;  Cultura Digital; Direitos Humanos  em  Educação;  Educação  Ambiental; Investigação  no  Campo  das  Ciências  da Natureza; Comunicação e uso de mídias; Educação Econômica; Promoção daSaúde; Esporte e  Lazer.  As  oficinas  priorizaram  a  participação  de  palestrantes  com  trajetória  significativa junto à comunidade local e larga experiência nos temas, tendo periodicidade mensal e duração de duas horas para cada turma. 

    Foi aplicado diagnóstico a 67 estudantes, que permitiu a aproximação com a realidade vivida pelos  estudantes.  O  questionário (42  questões)  foi  formatado de  maneira  a  contemplar: informações socioeconômicas do núcleo familiar;  questões que permitam compreender o que desejam  para  seu  futuro;  como entendem  a  relação  entre  escolarização  e  perspectiva profissional e como veem as possibilidades de ensino que podem seguir após a conclusão do Ensino Fundamental.

    Ademais,  visando  ampliar  a  discussão  sobre  Educação  Integral,  pais  e  responsáveis participaram  de  pesquisa  sobre  a participação  das  famílias  no cotidiano  escolar.  O questionário  (26  questões)  contemplou  informações  socioeconômicas  da família  e  questões que permitiram compreender o que pensam sobre a escola, o que desejam para o futuro dos filhos  e  como entendem  a  relação  entre  escolarização  e  perspectiva  profissional.  Foram convidados 24 responsáveis, residentes nas comunidades do Chapéu Mangueira e Babilônia para respondê-lo. Todas as atividades realizadas pelo projeto foram sistematizadas, com vistas à contribuir com a política pública de educação integral.

    Com  base  na  experiência  do  Projeto  Pontes  para  o  Futuro,  o  CIEDS  acredita  que  o engajamento dos pais  e responsáveis  enquanto protagonistas no processo educativo de seus filhos é de fundamental  importância para  a ratificação das premissas da  Educação  Integral: novos tempos, espaços e atores.

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  • (Re)aproximando a família da educação infantil

    No município do Rio de Janeiro, o Programa Piloto Orientadores Familiares surgiu como resposta à demanda de criação de medidas específicas e integradas, direcionadas para o atendimento à primeira infância, em consonância com os dispositivos do artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que destaca a abrangência dos processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

    O Programa, realizado pelo CIEDS – Centro Integrado de Estudos e Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e a Fundação Itaú Social, entre os anos de 2012 e 2013, atendeu a 420 famílias, em 10 Creches, localizadas nos bairros de Senador Camará, Inhoaíba, Bangu, Realengo, Santíssimo, Campo Grande, Sepetiba e Santa Cruz, Zona Oeste da cidade e teve como objetivo promover a aproximação entre creche e família, atuando como uma ação educativa para as famílias que aguardavam vagas para matricular seus filhos nas creches. 

    O trabalho de sensibilização e informação foi realizado, por meio da atuação direta de 10 profissionais, denominados de “Orientadores Familiares”. Coube a estes profissionais atender as famílias e responsáveis, viabilizando momentos de diálogo, trabalhando o tema da promoção da educação e dos direitos da infância de forma interativa fornecendo orientações sobre o desenvolvimento da criança. Para sua atuação junto às famílias, os profissionais passaram por um processo continuado de formação com base na utilização de metodologias participativas e se constituiu como a fase da ação, da relação teoria/prática, considerada também como aprendizagem tanto no desenvolvimento dos conteúdos, como na abordagem, referenciada pelo planejamento, cuidado com a linguagem adotada e a ampliação de redes de relacionamentos.  

    Para o desenvolvimento da proposta, a metodologia utilizada estava estruturada a partir das seguintes ações: realização de orientações às famílias em situação de vulnerabilidade, nas temáticas de direitos, educação, saúde, cultura, entre outros; incentivo à participação nos espaços de informação como o Programa Primeira Infância Completa (PIC) e Escola de Pais; realização de visitas domiciliares para acompanhar as expectativas das famílias, com relação ao momento de entrada na creche; elaboração em parceria com as famílias de ações de cunho educativo, como recursos para contribuir com o desenvolvimento da criança; e, por fim, a promoção de atividades de apropriação da cidade, como recurso educativo não-formal, na perspectiva de ampliação do repertório sócio-cultural das famílias como incremento à novas possibilidades de relacionamento familiar.

    O Programa considerou em sua condução práticas, esforços que foram relevantes para o estímulo ao aprendizado das crianças, que requer para sua formação integral, além da escola, a participação da família e da comunidade, integrando diversificadas dimensões da criança: afetiva, cognitiva, cultural e social.

    Apontando alguns resultados, percebe-se que a experiência contribuiu para ampliação da visão da família sobre o processo escolar, já que antes entendiam a escolarização resumida somente ao ensino tradicional. As famílias atendidas pelos Orientadores Familiares perceberam que a educação dos filhos estava interligada à diversas áreas como afetividade, ludicidade e socialização. 

    Neste contexto, a educação infantil surge como a base para construção dessas relações e desses espaços compartilhados. Torna-se imprescindível reconhecer essa base como eixo fundamental para a consolidação de uma relação entre família e escola, que será mantida ao longo da vida escolar da criança. Posto isso, o CIEDS considera que todos os processos vivenciados durante o desenvolvimento do Programa Orientadores Familiares podem contribuir para o desenho de políticas públicas que valorizem a relação entre família e escola/creche como fator preponderante no desenvolvimento integral da criança.

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  • Bairro Educador: Uma experiência de educação integral

    Este resumo tem como objetivo apresentar o Projeto Bairro Educador, desenvolvido entre junho de 2010 e agosto de 2013 pelo CIEDS - Centro Integrado de Estudos e Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, em 209 Escolas Municipais localizadas em 51 territórios da cidade.

    O Bairro Educador teve como objetivo principal a promoção do desenvolvimento integral e ampliação dos repertórios educativos dos estudantes, a partir da construção de novos processos de aprendizagem e da articulação dos potenciais educativos dos territórios (espaços, pessoas e instituições) às escolas, estimulando um ambiente promotor de prosperidade, integrando as famílias, o direito à cidade e a permanência interessada do aluno na escola.

    A proposta esteve alinhada à política de Educação Integral do Ministério da Educação com a perspectiva de ampliação de recursos, tempos e espaços educativos. Adotou ainda como referência os princípios das Cidades Educadoras (Barcelona, 1990): trabalhar a escola como espaço comunitário; trabalhar a cidade como grande espaço educador; aprender na cidade, com a cidade e com as pessoas; valorizar o aprendizado vivencial e priorizar a formação de valores.

    Visando quebrar paradigmas de esquemas tradicionais de aprendizagem, para tornar a escola um ambiente mais atrativo para os estudantes, a metodologia do projeto esteve baseada na conjunção de quatro elementos: a) projeto comunitário de educação integral; b) interaçãofamília-escola; c) gestão democrática; d) apropriação do bairro e da cidade.

    O modelo adotado trabalhou com arranjos personalizados, num movimento dialógico com os Projetos Político Pedagógicos de cada unidade escolar, estimulando a curiosidade, prazer e interesse de estudantes e professores. Caminhos pedagógicos foram desenhados coletivamente, partindo das salas de aula, ganhando vida nas comunidades e agregando novos atores e espaços educativos do território, identificados por meio de um mapeamento local, que permitiu mobilizar uma diversidade de 492 parceiros dispostos a atuar de forma colaborativa, investindo tempo e recursos, criando assim uma grande rede pela educação na cidade.

    Destacamos cinco vertentes de resultados: i) Melhor ambiência para a aprendizagem, incluindo a gestão democrática dos espaços escolares e formação de professores; ii) Apropriação da cidade enquanto espaço educativo e de propriedade de todos. A cidade se transforma em extensão da sala de aula, proporcionando ampliação do repertório educativo e cultural dos alunos, que passam a se apropriar efetivamente do direito a ela; iii) Maior envolvimento das famílias com o cotidiano escolar de seus filhos. Em muitas escolas foram criados Núcleos de Famílias; iv) Construção de redes locais formadas por parceiros corresponsáveis pelas ações educativas; v) Aumento do interesse dos estudantes, a partir da abordagem de conteúdos mais atraentes e conectados às histórias de vida, despertando neles a curiosidade e prazer em estarem na escola.

    Destacam-se ainda alguns números que evidenciam a escala do projeto: 209 unidades escolares; 130 mil estudantes; 455.406 participações de alunos e familiares em 6.063 atividades educativas; 492 parceiros; 7.000 reuniões para captação de parcerias, planejamento e avaliação das atividades educativas.

    No campo da sistematização, objetivando inspirar novas experiências com foco na expansão do território educativo para além dos muros da escola, o CIEDS produziu quatro publicações: Traçado Metodológico; Grêmio é Fundamental; Práticas e Aprendizagens; Rio, Cidade que Educa – Guia de Recursos Educativos.

    Por fim, mantida a estrutura metodológica, a experiência do Bairro Educador pode ser facilmente reaplicada, pois se ajusta ao contexto local e reconhece naquele território os potenciais educativos que dialogarão com as escolas. Assim, a partir das vivências e elaboração coletiva de percursos de aprendizagem cada vez mais enraizados nos bairros e na cidade, o CIEDS reafirma seu compromisso de contribuir para com a formulação e desenvolvimento de projetos e ações alinhados às perspectivas da Educação Integral.

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  • Prêmio Petrobras de Esporte Educacional - Experiências que Inspiram

    Fruto do Prêmio Petrobras de Esporte Educacional, que conheceu e reconheceu iniciativas de esporte educacional por todo o Brasil, a publicação ‘Prêmio Petrobras de Esporte Educacional - Experiências que Inspiram’ tem o objetivo de disseminar estas tecnologias sociais e inspirar novas práticas de esporte educacional desenvolvidas por escolas públicas, universidades e instituições do terceiro setor.

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  • Investimento social no Shell Iniciativa Jovem

    Este artigo tem como objetivo apresentar a experiência de um programa de empreendedorismo e investimento social implantado na cidade do Rio de Janeiro, pelo Grupo Shell com a execução do CIEDS Brasil, mostrando o contexto dos atores envolvidos, a metodologia utilizada, os principais objetivos e osresultados alcançados.

    Na última parte, são apresentados o estudo e a análise das etapas do Programa e algumas tendências a que se tem tomado no decorrer dos últimos anos de existência do programa no Brasil. A partir destas análises, são apresentadas algumas conclusões sobre esta iniciativa, destacando o importante papel das instituições privadas e sua participação ativa no desenvolvimento das comunidades que são beneficiadas, consolidando um novo processo de mudança.

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  • Rede sustentável de relacionamento em Búzios

    Este artigo apresenta a experiência do CIEDS na gestão da Rede Sustentável de Relacionamento vinculada ao Programa Cidade Inteligente Búzios, capitaneado pela concessionária de energia AMPLA em parceria com instituições locais, institutos de pesquisa e universidades.

    O artigo demonstra aimportânciada Rede, enquanto Tecnologia Social para a articulação de atores locais visando a consolidação efetiva de um modelo de cidade inteligente, apartir do fortalecimento do capital social como fator fundamental para o desenvolvimento local. 

    O projeto, a partir da interação e cooperação entre segmentos sociais e institucionais do território (empreendimentos locais; grupos de produção comunitários; ONGs; associações comerciais; instituições públicas; Poder Público e empresas) em torno de um objetivo comum, configura-se como um canal de comunicação contínuo sobre os temas que envolvem o Programa Cidade Inteligente Búzios, considerando reflexões coletivas, ações autogestionadas e identificação de potenciais de complementariedade.

    Partindo do arcabouço conceitual de “cidade inteligente” é apresentado o traçado metodológico e programático da Rede e ainda os efeitos e resultados advindos dessa ação.

    A metodologia de pesquisa é empírica, aplicada e de caráter exploratório, utilizando método dialético para a análise de dados e abordagem qualitativa. Pretende-se contribuir para reflexão conceitualacerca do tema, agregando-se o elemento de que a interação dos indivíduos residentes no território é condição para a consolidação deste modelo de cidade.

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  • Diálogos Sociais 2013

    Diálogos Sociais é um projeto do CIEDS em parceria com o Sesc Rio, que consiste em encontros que propõem a reflexão coletiva de diversos temas, a partir de pontos de vista distintos, visando à troca e à partilha de conhecimento, por meio do diálogo. A revista Diálogos Sociais 2013 é fruto desses encontros mensais que aconteceram durante todo o ano de 2013 e reúne textos autorais de cada um dos dialogadores convidados.

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  • Rio, Cidade que Educa - Guia de Recursos Educativos

    O Guia apresenta de maneira organizada em uma única plataforma recursos educativos aplicados em 51 bairros do Rio de Janeiro, vivenciados durante a realização do projeto Bairro Educador, no período de maio de 2010 a agosto de 2013.

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  • CIEDS: 15 anos de Boas Práticas

    CIEDS: 15 anos de Boas Práticas é uma publicação comemorativa de 15 anos de história que reúne 20 Boas Práticas, escritas sob a ótica dos próprios colaboradores do CIEDS, que participaram da criação, planejamento e execução das mesmas. São iniciativas simples, reaplicáveis, desenvolvidas a partir de diferentes realidades e que podem inspirar outras pessoas e instituições.

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  • Crack: um novo olhar

    Crack: um novo olhar" é fruto da experiência do CIEDS na gestão de cinco abrigos de crianças e adolescentes usuários de substâncias psicoativas no munícipio do Rio de Janeiro, no período de novembro de 2012 a julho de 2013.

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  • Grêmio é Fundamental

    A publicação descreve metodologias e atividades, considerando a importância da criação de um grêmio forte e atuante para o exercício da cidadania na vida escolar. É produto do projeto Bairro Educador, que desenvolveu uma série de atividades junto a escolas municipais do Rio de Janeiro.

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  • Práticas e Aprendizagens

    A publicação conta com uma série de ações promovidas pelo projeto Bairro Educador, destacando estratégias que ajudam o leitor a compreender como a teoria descrita no "Traçado Metodológico", publicação do mesmo projeto, se reflete no dia a dia das escolas.

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  • Traçado Metodológico

    O livro "Traçado Metodológico" apresenta os conceitos e a metodologia adotada pelo projeto Bairro Educador, a partir da descrição de suas etapas, seus componentes e tecnologias.

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  • Diálogos Sociais 2012

    Diálogos Sociais é um projeto do CIEDS em parceria com o Sesc Rio, que consiste em encontros que propõem a reflexão coletiva de diversos temas, a partir de pontos de vista distintos, visando à troca e à partilha de conhecimento, por meio do diálogo. A revista é fruto desses encontros mensais, e reúne textos autorais de cada um dos dialogadores convidados.

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  • Guia de Oportunidades Escolares

    Material idealizado pelo projeto Pontes para o Futuro, executado pelo CIEDS em parceria com a Fundação Itaú Social. O "Guia de Oportunidades Escolares" reúne dicas e sugestões de estudo e escolas para os alunos que ainda vão ingressar no Ensino Médio.

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  • O Governo, as ONGs e a questão dos Direitos Sociais

    Na década de 90, os processos de globalização econômica e reformas políticas liberais acabaram por comprometer grande parte da capacidade de gestão por parte do governo. Este fato abriu brechas para que as ONGs alcançassem um novo espaço de poder e pudessem, assim, ter a demanda de seus grupos atendida.

    Neste momento, a sociedade assiste e, é ao mesmo tempo beneficiária, deste avanço. Grupos até então marginais (no sentido de estarem à margem, excluídos do processo de inclusão social) passam a ter voz e vez, se organizam e exigem políticas públicas que universalizem os direitos e combatam a exclusão social.

    Os movimentos sociais e as ONGs têm papel fundamental no que tange à expansão e consolidação da democracia, trazendo a tona questões como o multiculturalismo, diversidade cultural e identidades étnicas, raciais, religiosas, de gênero, etc.

    São muitos os resultados desta luta, apenas para citar alguns: a lei Maria da Penha, os projetos de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, as cotas nas universidades públicas, entre outros. Todos estes projetos político-sociais, apesar de muitas vezes estarem focados em uma causa específica, são representações de conquistas coletivas de grupos organizados.

    Não se pode desconsiderar a importância do setor empresarial neste momento de ascensão das ONGs. O eixo economicista está ali, eles são os detentores dos financiamentos que podem mudar o futuro de grupos organizados e comunidades inteiras no momento em que o governo não está apto a atender as demandas da população, seja por interesses de outrem ou por dificuldade no controle no uso dos recursos financeiros disponíveis.

    Sabemos que uma gestão urbana pública, planejada a partir de demandas sociais, deve buscar equilibrar a equação necessidade-oportunidade-recursos disponíveis de forma democrática, a partir da construção de consensos gerados pelo diálogo em que o eixo condutor seja os direitos dos cidadãos e o bem-estar coletivo comum, e não o equacionamento dos déficits e a melhor forma de administrar a sempre eterna falta de recursos para as áreas sociais.

    O interesse comum deve ser o da maioria da população, principalmente dos setores excluídos socioeconomicamente, e não o interesse comum de grupos de interesses particularistas determinados.

  • O melhor investimento para o jovem é a permanência na escola.

    Filho de rico estuda até “se formar” na universidade, filho de pobre tem que trabalhar para “garantir” o seu futuro.  Com essas colocações tão presentes em nossa cultura e baseadas em fatos reais e históricos, temos, enquanto sociedade brasileira, conseguido promover a hereditariedade da pobreza e a descrença na escola pública como o melhor investimento para o desenvolvimento econômico e social de nossos milhões de jovens.

    E esse fato parece que é colaborado por vários fatores sociais e até mesmo políticas públicas, se não vejamos:

    • O ensino médio no Brasil é de responsabilidade das unidades federativas, os estados.  Isto posto, temos 27 sistemas educativos distintos que colocam as escolas de ensino médio como espaços “sem donos”, localizadas nos mais distantes grotões do Brasil, dificultando um acompanhamento pedagógico e mesmo a manutenção das mesmas;
    • Cerca de 60% das escolas de ensino médio compartilham espaços físicos com escolas das redes municipais e funcionam no turno da noite, expondo alunos e professores ao desgaste físico, violência das ruas e distanciamento do convívio familiar;
    • Muitos projetos sociais, assim como ações empresariais de responsabilidade social, têm no Primeiro Emprego a solução para a pobreza dos jovens de 16 anos em diante.  O jovem que inicia o trabalho quase de imediato, com raras exceções, coloca a escola em segundo plano, abandono-a, e compromete todo o seu futuro pelo mísero ganho emergencial.   Os jovens ao receberem seus primeiros salários, por mais baixo que sejam, já se empoderam de seus destinos, delegando à escola um lugar bastante distante do rol de suas preferências e planos futuros, tornando-se assim adultos antes do tempo;
    • As entidades profissionalizantes do sistema “S” (SESI, SENAI, SENAC, SEBRAE) e o Ministério do Trabalho, em sua quase totalidade de ações, nunca atuam de forma conjunta e continuada com a rede das escolas estaduais. Seguem por conta própria replicando um modelo ultrapassado de formação, desconectado do tempo dos jovens, e ainda concorrem com as escolas disputando os melhores anos;
    • O MEC, Ministério da Educação, até a presente data, não tem uma politica única para o ensino médio no Brasil que oriente os estados na sua implementação.  Muitas escolas oferecem até 19 disciplinas, mesmo que não tenham número de professoras suficientes em seus quadros.  E, diga-se de passagem, estas disciplinas em grandes números são desconectadas da realidade e das demandas formativas dos jovens.  O mesmo MEC declara que o ensino médio prepara o jovem para o vestibular e não para o seu futuro;
    • Todo o sistema de formação e orientação vocacional do Brasil está dissociado da escola e mesmo das empresas.  As empresas, que hoje reclamam da escassez de mão de obra de qualidade para atuar com as novas tecnologias e dos altos custos da produção no Brasil, ao apoiarem ou implementarem seus programas de responsabilidade social e formação profissional, o fazem em espaços distintos e distantes das escolas públicas.  O fazem repetidas vezes sem sucesso porque o jovem não tem educação básica sequer para aprender uma nova técnica;
    • Métodos e professores contratados pelos estados continuam aplicando metodologias educativas arcaicas e comprovadamente ineficazes enquanto instrumentos de ensino e aprendizagem.  As disciplinas obrigatórias são as mesmas da década de cinquenta, quando o homem sequer tinha ido à lua;
    • A manutenção física das escolas é feita de forma centralizada pelos estados através de licitações que contratam empresas únicas, levando a um verdadeiro sucateamento das escolas.  Muitas delas são espaços mesmo insalubres;
    • As famílias, especialmente nas classes mais baixas, veem as escolas como um “depósito”, onde os pais e mães delegam ao estado a educação de seus filhos.  Estes pais, na maioria das vezes, são incapazes de orientá-los para o processo educativo ou permanência nas escolas porque eles mesmos nunca ou pouco as frequentaram e não têm, assim, parâmetros para orientar as escolhas de seus filhos.  No geral, ainda exercem pressão para que eles complementem a renda familiar;
    • E por fim desta lista de apenas 10 motivos que colaboram contra o ensino médio no Brasil, constatamos que todo o sistema educacional do ensino fundamental - 1º ao 9º ano, está sob a responsabilidade das mais de 5.600 prefeituras municipais que não apresentam o menor grau de articulação com as escolas estaduais, do ensino médio.  A criança e o jovem brasileiro não contam com um processo curricular continuado e complementar e têm na transição do ensino fundamental para o ensino médio um processo altamente desestimulante e até mesmo sofrível na rede pública brasileira.  Começa o processo do incerto, onde o jovem é colocado em uma escola por sorteio (no caso do Estado do Rio), dependendo ou não se a mesma fica próxima de sua residência.

    Diante destas colocações, o que leva ainda milhares de meninos e meninas a ingressar e permanecer no ensino médio no Brasil?  Qual o custo que o Brasil paga e pagará por este descaso?  Não é um absurdo e nem uma irrealidade afirmar que o crescimento do país – social e econômico, vai estagnar em curtíssimo prazo. 

    Por que temos que nos rebelar contra este descaso?

    • Porque não é justo que não demos a nossos jovens mais pobres a chance de vencerem os ciclos históricos de pobreza familiar;
    • Porque queremos que os benefícios do crescimento econômico do Brasil sejam os impulsionadores do bem estar de todos e não apenas dos mesmos beneficiários históricos;
    • Porque queremos não ter medo de um jovem negro, que mora em um bairro pobre. Não queremos mais associar pobreza à cor;
    • Porque não queremos mais viver com a violência que nos cerca, com a falta de esgotos, com a miséria que nos tira o sono, com a corrupção que viola nossos direitos mais básicos;
    • Porque queremos uma cidade integrada, e são as escolas as instituições públicas mais permanentes nas áreas mais pobres de qualquer cidade do Brasil.  E são estas, somente estas escolas que podem ser os agentes transformadores da sociedade brasileira.

    Por fim, se faz necessário que governo federal, estadual e municipais, instituições profissionalizantes, sindicatos, empresas, ONGs e universidades públicas e privadas se unam para a formulação de um pacto integrado para o futuro da juventude e desenvolvimento justo do Brasil. Esse pacto deve ter na escola de ensino médio, em especial, a força e o espaço adequado de formação educativa, de orientação vocacional, facilitadora do entendimento do papel do jovem no processo de construção de uma sociedade brasileira tão desejada e prometida.

  • Mudar a educação e educar para mudar

    Que a violência era (e ainda é em muitos locais) um dos principais problemas para o desenvolvimento dos moradores de comunidades e favelas não é novidade pra ninguém. Que durante muitos anos, as autoridades da Cidade do Rio de Janeiro não souberam enfrentar esta questão também não é novidade. Poucas condições de segurança somadas, durante anos, à ausência de serviços públicos, fizeram estes locais ficarem conhecidos como “zonas de guerra”, um cenário caótico aonde a esperança muitas vezes deu lugar ao desespero. Nestas áreas dominadas por inimigos públicos, as crianças e adolescentes são as grandes prejudicadas. Futuro, por muito tempo, era apenas uma palavra. E futuro melhor, através da educação, uma utopia que poucas pessoas ousaram sonhar.

    O programa Bairro Educador (BE), projeto que integra o Programa Escolas do Amanhã da Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro, desenvolvido pelo CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável), atua para ajudar a mudar um cenário muito comum nas escolas localizadas nestas comunidades: a alta evasão escolar.

    Iniciado em junho de 2010 como um projeto piloto, hoje ele esta presente em 51 bairros e 209 escolas, o BE trabalha na perspectiva de levar aos estudantes de comunidades (algumas pacificadas, outras não) novas oportunidades de aprendizagem, procurando orientar as ações nos seguintes eixos: apropriação do bairro, e da cidade como recurso pedagógico de aprendizagem; interação família-escola e comunidade; estabelecimento de parcerias como potencializador de novas oportunidades educativas; gestão democrática e educação integral.

    O projeto, em si, não trás nada de conceitualmente novo, trás uma postura nova, pois dizer que precisamos que todos se envolvam na educação dos nossos jovens não é novidade. Novidade é ter uma pessoa, representando o poder público, que vai até a padaria da esquina e pergunta: você pode nos ajudar na aula de matemática? Quero trazer uma turma aqui para que vejam como vocês trabalham pesos e medidas. Ou, que convidam profissionais das mais diversas áreas para que possam falar de suas profissões nas escolas, para estimular os jovens a continuar os estudos.

    Estas pequenas ações, que para muitas escolas (particulares na sua maioria) são corriqueiras, pareciam impossíveis de serem realizadas nas escolas em que hoje atua o BE. Como poderia uma turma, de uma escola localizada em áreas de risco, ir até a esquina se muitas vezes a violência de confrontos armados chegava até a sala de aula? Ou como levar um palestrante, um animador, uma instituição parceira às escolas situadas nestas áreas? Por mais que existisse a boa vontade, também existia o bom senso, pois não era seguro. Mesmo quando o problema da violência estava acentuado nas comunidades, o BE já atuava nestes locais, pois são estes os estudantes que mais precisam de atenção e oportunidades.

    Após dois anos de Programa Escolas do Amanhã, os resultados já começam a aparecer, como por exemplo, a taxa de evasão nas escolas atendidas pelo programa em 2008 foi de 5,1% e em 2010 esse percentual foi de 3,26%¹. Nesta mesma direção caminha o BE, que em dois anos de atuação gerou mais de 250 mil oportunidades para os estudantes participarem de atividades educativas (oficinas e palestras alinhadas ao Projeto Político Pedagógico e aos conteúdos curriculares, aulas-passeio, visita a centros culturais, teatros, cinemas, oficinas, palestras e etc.), divididas em quase 3 mil atividades culturais, dentro e fora das escolas. Todas elas relacionadas com o plano de trabalho, elaborado por escolas e realizadas com mais de 470² parceiros.

    O debate sobre a qualidade do ensino nas escolas públicas já é antigo, e a maioria das pessoas que opinam sobre o assunto tem a mesma opinião: temos de mudar. Acreditamos que fazer com que os estudantes circularem pela cidade utilizando os equipamentos culturais, fortalecer o vínculo dos responsáveis com a escola, levar pessoas e instituições para dentro da escola com uma nova proposta de aprendizado e incrementar a atuação dos estudantes no dia-a-dia das escolas estimulará, quase que automaticamente, a implementação da educação integral de qualidade.

    Uma educação de qualidade é capaz de mudar a vida de muitas pessoas, e de países também, por isso temos de trabalhar para termos escolas acolhedoras, com conteúdo, participativas, inovadoras, abertas, humanas. Durante décadas preparamos jovens para serem trabalhadores, e não cidadãos. Mas o Brasil precisa que nossas escolas formem cidadãos, que se tornarão bons profissionais, ou não. Mas antes de tudo, precisam ser cidadãos.

    Sabemos que temos de mudar algumas praticas educacionais para educar, e será educando que vamos mudar muitas vidas e mudaremos o Brasil. O Bairro Educador, certamente, ajudará nesta mudança.

    1. Mais informações sobre o Programa Escolas do Amanhã (PEA) veja o site da SME http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/exibeconteudo?article-id=2281501
    2. Os números dos dois anos de projetos ainda não foram consolidados, por isso os resultados que apresentamos aqui são números aproximados. Estes dados estão contidos no Banco de Dados do Projeto Bairro Educador.
  • Ouvir o outro lado da história: ótimo exercício democrático

    Quase sempre quando anunciamos que trabalhamos em uma ONG as pessoas se espantam.  Virou notícia corriqueira nos últimos anos o envolvimento dessas instituições por todo o Brasil em escândalos governamentais e não-governamentais. Ongs são chamadas de instituições laranjas e seus produtos são tratados como ficção. Mais recentemente, essas organizações foram tratadas como instrumentos de arrecadação de fundos ilícitos para políticos e desvio de impostos por empresas. O problema não são as ONGs, e sim alguns de seus gestores que agem de má fé aproveitando de um instrumento social que, ao longo de décadas, tem prestado um enorme serviço à sociedade do Brasil e de todo o mundo.  Serviços esses que atendem à demanda do enorme custo social.

    Vale refletir: quem mantém os asilos? Quem se encarrega de implementar programas de prevenção de drogas ou abuso sexual de crianças? Quem denuncia o desmatamento de florestas ou o assassinato de líderes comunitários? Quem se presta a desenvolver pesquisas para incluir socialmente analfabetos, famílias com pobreza crônica ou dependentes químicos?  Poderia listar uma série expressiva de outras contribuições.

    É fato que a boa gestão de uma ONG exige transparência e competência diante da diversidade de legislações que as regem.  Mas só isso não basta.  Hoje é preciso trabalhar com modelos de prestação de contas, nas quais são aplicados legislações municipais, estaduais e federais que não se comunicam entre si.  Essa variação traz brechas para agentes de má fé que em nome do trabalho social burlam, corrompem e privatizam seus interesses.  Em quase todos os países desenvolvidos essas instituições contam com inúmeras isenções e reconhecimento.

    Hoje empresas fazem propagandas ressaltando o seu valor social porque passaram a vender seus produtos para os pobres.  Durante anos, estas viraram as costas para esse mercado e continuaram a financiar governantes que nada fizeram para reverter a pobreza.  Dizer agora que o pobre tem vez porque paga pela energia elétrica ou recebe encomenda pelo correio é no mínimo hilário.  Os governos estaduais descobriram que a inclusão social de favelas ao mundo do asfalto gera mais riqueza para as cidades através da arrecadação de mais impostos.  Os anos de trabalho árduos e solitários de ONGs em morros e favelas são desconsiderados e denegridos. Acham que a mão invisível do mercado operou um milagre sozinho.

    Empresas e governos agora acordaram para a melhoria dos indicadores sociais, em especial a educação porque já falta mão de obra qualificada para apoiar o crescimento.  A formação profissional de um jovem é ineficiente se não tiver estudado em boa escola. Falta base para o desenvolvimento e aprendizagem.  Quem, mais uma vez, atua pelo Brasil com programas de educação? Centenas de ONGs e voluntários.

    Nossos governos operam estruturas pesadas e deficitárias.  A parceria com instituições sociais com fins específicos se faz urgente para consolidar o crescimento econômico e colocar o Brasil num patamar digno, não pelo seu PIB concentrado nas mãos de poucos, mas num patamar onde sua população possa viver com mais oportunidades, dignidade, boa saúde e educação. ONGs desenvolvem iniciativas construtivas sim e nós temos dever moral de nos colocarmos como parte na solução dos problemas sociais do Brasil apoiando iniciativas sérias e transparentes que trazem resultados e melhores perspectivas.

  • Profissionalização do Terceiro Setor, uma exigência para sobrevivência

    Desde as duas últimas décadas temos vivenciado no Brasil e no mundo uma grande expansão das organizações do Terceiro Setor e já é consenso a importância deste setor para a economia mundial.

    Em contraponto estas organizações vêm enfrentando grandes desafios para manutenção de suas atividades e desenvolvimento de técnicas e modelos de gerenciamento, que lhes sejam próprias e adequadas e que garantam a eficácia, eficiência e efetividade dos projetos sociais desenvolvidos por estas organizações.

    Assim este estudo apresenta um breve referencial teórico sobre o assunto, de tal modo a caracterizar as organizações que compõe este setor e a evolução do modelo de gestão do CIEDS - Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável, organização do Terceiro Setor ao longo dos últimos dez anos.

    Concluiu-se que o processo de institucionalização e sistematização oferece as organizações do Terceiro Setor o reconhecimento de suas potencialidades e fragilidades e que aliar técnicas e a racionalidade do segundo setor as experiências e formas de gestão do Terceiro Setor pode se concretizar em uma alternativa de sucesso para estas organizações.

    Acesse o artigo na íntegra

  • A comunidade escolar constrói o futuro

    O Brasil tem 15 milhões de pobres, cuja renda mensal é inferior a R$140,00. Dentre eles, 12,4 milhões são indigentes - ganham menos que R$ 70. Considerando que há 10 anos tínhamos 30 milhões de pobres, o avanço na diminuição da pobreza foi espetacular. A geração de 14 milhões de empregos fez diferença fundamental na diminuição do número de pessoas na linha da pobreza e contribui para a expansão e melhoria da educação.

    Todos sabemos que cabe aos governos orientar suas atuações para a educação em todos os seus níveis, especialmente para crianças e jovens pobres. Mas a educação deve ser vista como processo participativo, que envolve a corresponsabilidade de professores e pais, alunos líderes comunitários, governos e sociedade civil. Nesse sentido, o projeto Bairro Educador, da Secretaria Municipal de Educação, é exemplo de iniciativa vital para o aumento da escolaridade. Com o apoio da ONG Escola Aprendiz, o Cieds atua em 200 escolas e creches municipais, situadas nas áreas com maiores índices de conflitos armados. O programa integra planos de aulas, uso do bairro como espaço ampliado das escolas, atividades culturais e esportivas e capacitação de professores e diretores.

    Os resultados aparecem quase que de imediato. Diretoras de escolas desmotivadas com promessas e projetos passageiros hoje se reúnem com parceiros locais, mobilizam professores e alunos em planos de aulas divertidos e eficazes. Pessoas das próprias localidades assumiram a escola como um bem da comunidade, uma instituição que promove o desenvolvimento educacional, cultural, social e humano de seus filhos. A comunidade pode ver na escola o motor de mudanças que ajuda a construir um futuro melhor.

    O desenvolvimento, jargão tão usado por economistas e políticos, tem aqui uma cara real e atual. Nas escolas e bairros onde o projeto está e onde há ações de segurança, como as UPPs, já mostram resultados. A escola e a educação ganham destaque na garantia da paz e da melhoria do desenvolvimento econômico. O projeto é exemplo concreto de política pública acertada e de maiores chances de ascensão socioeconômica pela educação.

    Veja o artigo publicado no Jornal O Dia

  • Por uma cultura de paz

    A tragédia de Realengo ocorrida ontem nos deixou indignados e deixou toda a cidade em luto. É hora de transformarmos a tristeza em ação para construírmos coletivamente uma cultura de paz.

    A tragédia de Realengo não pode ser apenas analisada sob a ótica de um caso, de forma isolada. Situações como essas são fruto de uma cultura de violência e de ódio que está instalada em nossa sociedade. E é isso que precisamos refletir.

    Que cultura queremos. O que pensamos, o que fazemos, o que falamos?

    O fato é que precisamos inscrever com urgência na ordem do dia uma reflexão acerca de uma cultura de paz. Somos todos vítimas e culpados pela situação em Realengo. O caso é uma ponta de um grande iceberg, é um eco da cultura de violência em que estamos inseridos. A discussão não pode ter como cerne qual tipo de patologia acometia aquele jovem.

    A discussão é sobre o que estamos oferecendo as nossas crianças e jovens. Em que bases culturais estão alicerçadas nossas relações? Temos que refletir individualmente e coletivamente que posturas nossas cotidianas contribuem para estes fatos.

    Há algumas semanas vimos uma enxurrada de indignação com as falas do Deputado Jair Bolsonaro, falas racistas e homofóbicas, impulsionadas por ódio e violência. É preciso também, neste caso, perceber que a fala, apesar de ter sido dita pelo Deputado, é representação de uma camada da sociedade, que deu a ele este poder de expressão.

    Vemos o índice de violência doméstica atingindo patamares altíssimos. Vemos pais que não respeitam seus filhos e filhos que não respeitam seus pais. Vemos situações de desrespeito e falta de qualquer sensação de respeito no trânsito. Vemos pessoas estacionando sobre as calçadas, estacionando em vagas destinadas a pessoas com deficiência, a idosos, como se isto fosse totalmente corriqueiro e que não houvesse também neste ato uma violência.Vemos a intolerância religiosa, como se houvessem “escolhidos” e outros “pecadores”. Nas empresas a competição de vencedores e derrotados perde lugar a uma cultura colaborativa e de crescimento conjunto.

    O Professor Dr. Evandro Ouriques da Escola de Comunicação da UFRJ apontou, em seu twiter, algumas reflexões importantes neste sentido.“O que cada brasileiro está fazendo em seu Território Mental p ajudar a importação deste modelo serial killer de competição, bullying e armas? Invasão imperial é desejo do Império. A nós cabe resistir no Território Mental, expulsando nossos pensamentos, afetos e percepções imperiais. A sociedade, a cultura e a (in)comunicação estão cheias de bullying e de assédio, de violência sob todas as formas. Resultado está aí, condensado. Paz não se pede! Se constrói! A começar no próprio Território Mental e daí p exemplo transbordando n atitude cidadã e nas políticas públicas!”

    Precisamos construir coletivamente essa cultura de paz que queremos e pretendemos para nossa sociedade. É preciso refletir que existe uma cultura de violência instalada em nossa sociedade, importada de modelos vigentes em nossos países. Precisamos com urgência rever aquilo que há em nós que contribui para a manutenção desta cultura e partir daí para a mudança. A hora é já. A paz tem pressa.

  • Juventude(s) no Brasil

    Pensar sobre as especificidades da juventude brasileira e sobre suas diferentes e diversas demandas constitui tarefa fundamental à elaboração e à prática em projetos sociais. Na correria de nossas vidas, geralmente pouco tempo nos sobra para refletirmos sobre temas aparentemente esgotados no que diz respeito ao pensamento, mas devemos perceber que é justamente o ato de pensar e a proposição de um pensamento crítico a chave para que se rompa com a ação e reprodução mecânica das idéias em nossas vidas, e porque não, em nossos projetos.

    Incorporando esta perspectiva à instituição, o CIEDS tem proposto uma série de debates internos que buscam agregar informações e conhecimentos a toda sua equipe, e consequentemente a todos os seus projetos. Como primeiro eixo abordado, a juventude rendeu um grande debate, exatamente porque tratá-la como tema específico de uma análise, é tratar, na realidade, da interlocução entre os mais diversos âmbitos em que sua presença se faz preponderante.

    Seja no universo do trabalho, da cultura, do esporte, do meio ambiente ou da educação, em sua concepção mais generalizada, o jovem representa o ator social capaz de romper a reprodução das desigualdades e de promover um novo ciclo de práticas sociais inclusivas. A grande questão colocada após esta afirmativa, e que merece nossa reflexão, é por quais motivos compreendemos esta faixa etária como protagonista da transformação social?

    Enquanto momento da vida humana, ser jovem pode representar o momento de escolha daquilo que se pretende ser, ou seja, a escolha pela manutenção ou pela transformação de aspectos sociais. De maneira figurativa, podemos simbolizar esta fase exatamente como o momento de encontro com uma “bifurcação” em uma longa estrada, porém muitas vezes, um momento intencionalmente velado na existência deste sujeito. Sendo assim, a intervenção socioeducacional para o desenvolvimento de senso crítico que possibilite uma escolha verdadeiramente consciente deste indivíduo, portanto uma intervenção estratégica para a sociedade, encontra-se nesta faixa, a juventude.

    Desta maneira, de que forma podemos pensar e formular esta intervenção para consciência crítica e para o fomento à participação cidadã, sempre de maneira integrada às finalidades outras de nossos projetos? Como elementos norteadores de nossas políticas encontram-se o fomento ao sentimento de “pertencimento” deste sujeito a uma estrutura social mais ampla; o seu reconhecimento enquanto ator histórico, que detém e é capaz de gerar sua própria história; e a promoção de aspectos de cidadania, não somente naquilo que diz respeito aos direitos e deveres destes jovens enquanto cidadãos, mas naquilo que tange ao protagonismo social e a participação cidadã destes jovens autônomos. Percebemos, ainda, a importância de buscar uma reflexão sobre as formas de atuação conjunta com as juventudes deste país, visando sempre a articulação entre todos os saberes, e jamais a atuação por meio da imposição de valores.

    Algumas questões compartilhadas foram: como lidar com o preconceito social que o jovem morador de favelas sofre? Como combater a violência contra a mulher e incentivar o seu protagonismo político-social? Como inserir o jovem no mercado de trabalho de maneira que este não tenha acesso somente a especializações profissionais, mas também aos seus direitos enquanto trabalhador? De que maneira devemos estimular a convivência com as diferenças culturais, para que surja o respeito a diversidade? De que forma estimularemos novas formas de produção, novas lógicas de consumo, para que se rompa com a reprodução de desigualdades? E, por fim, uma reflexão de destaque: será que nós, nos constituímos como seres efetivamente críticos, capazes de estimular esta consciência crítica nas juventudes? Talvez seja este realmente o ponto de partida.

  • Win Win Situation - Um novo pacto para o desenvolvimento

    Vivemos em tempos de intensas mudanças. Até hoje, nossa sociedade privilegiou apenas fatores econômicos para se desenvolver, modelo que já se mostrou insustentável. É fundamental o equilíbrio dos fatores econômicos, ambientais e sociais. Só a partir deste equilíbrio é que garantiremos que o desenvolvimento até aqui conquistado seja “sustentado” para as gerações futuras - isto é uma questão de sobrevivência.

    Esse novo modelo é fruto do somatório de forças do Estado, de empresas privadas, e da sociedade civil organizada.Todos os setores são igualmente responsáveis por construir este novo paradigma, cada um com suas responsabilidades específicas. A concretização deste modelo não pode ser tratada como uma ação pontual de apenas um setor e só funcionará se for construída e vivenciada em redes que comunguem valores e comportamentos.

    Nesse contexto surge a Responsabilidade Social Empresarial (RSE), compreendida como iniciativa interdisciplinar e multidimensional. Associada a uma abordagem sistêmica - direta ou indiretamente ligada ao negócio - e focada na relação com os stakeholders, pressupõe o comprometimento dos empresários em adotar um comportamento ético e justo, que se reflita em suas decisões, na relação com seus pares, contribuindo para o desenvolvimento econômico, simultaneamente, à qualidade de vida de seus colaboradores, familiares, comunidade local e sociedade como um todo.

    No contexto brasileiro, destacamos os desafios vitais para as organizações:

    1. Fazer a lição de casa. Pagar salários dignos e oferecer condições dignas de trabalho. Garantir o atendimento às legislações, em especial às trabalhistas e fiscais, o bem estar dos colaboradores, assumindo uma atitude ética e justa com todos;
    2. Assumir uma postura dialogal, fortalecendo relações interdependentes que privilegiem a autonomia, o empoderamento e a cooperação de todos os atores sociais;
    3. Assumir a RSE como atitude que permeia todos os processos e áreas da empresa e transcende as fronteiras da organização;
    4. Avaliar sistematicamente e continuamente o desempenho econômico, social e ambiental da empresa, de modo a realimentar com esses inputs o posicionamento da organização;
    5. Incluir na rotina da organização a diferença entre realização de ações assistencialistas (filantropia) e prática efetiva de RSE;
    6. Assumir a RSE como questão de sobrevivência, como interesse estratégico das empresas, e que este é o melhor, e talvez o único bom fundamento para que as empresas a promovam
    7. Estabelecer a efetividade das ações implementadas sob o escopo da RSE, a partir de pactos com as redes e pares do negócio, influenciando-os e recebendo deles os inputs necessários à gestão da RSE.

    Os desafios são transformar o discurso, tão em voga, em rotinas e processos do dia a dia; em valores; na orientação estratégica da organização.

    Responsabilidade Social é uma oportunidade para oportunidade para estes novos tempos. Uma via de complementariedade de atores sociais em rede - onde todos ganham: empresas, indivíduos, Estado e sociedade – para a construção coletiva do bem comum e promoção de uma sociedade sustentável.

    RSE trata da qualidade das relações empresariais e de suas relações com a sociedade e o meio ambiente. É isto que aqui propomos. Uma relação ética, transparente, justa e democrática.

  • Quem é que paga a conta da responsabilidade social?

    O Centro de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável, CIEDS tem desenvolvido parcerias com alguns atores que exercem, verdadeiramente, a responsabilidade social. Por exemplo, no Ceará, o CIEDS é parceiro da Fundação I Can, criação de um casal canadense que com esforços e recursos próprios implantou bibliotecas em comunidades carentes em Fortaleza. Na nossa área, a Responsabilidade Social é o tema da vez.

    Mais e mais empresas se envolvem com ações sociais. Muitas vezes, no entanto, responsabilidade social se confunde com marketing. As empresas criam institutos com seus nomes e lhes dirigem recursos que seriam destinados a impostos, ou seja, ao Estado que deve prover uma vida de qualidade para todos. Por meio desses arranjos, acontece uma verdadeira privatização dos impostos, já que esses institutos decidem o que fazer com os recursos que seriam públicos.

    E fazem gigantescas campanhas de marketing, destacando seus investimentos na área social! O que fazem é mesmo é responsabilidade social empresarial?? Por que não tiram de seus lucros operacionais os recursos para ações sociais, culturais e educativas. Porque compramos, por valores altíssimos, livros que trazem o selo da lei Roaunet? O selo informa que o livro foi produzido com recursos oriundos da renúncia fiscal! Esse debate não é novo, mas é justo.

    O CIEDS, comprometido com o fortalecimento do Terceiro Setor, se sente no dever de puxar essa discussão. Podemos questionar a legitimidade dos ditos encontros do Terceiro Setor onde só participam representantes empresariais! E também a prática de cooptar os profissionais formados pelas ongs com ofertas salariais maiores enfraquecendo assim todo o investimento na formação de quadros. Mas o consumidor pode mudar esse cenário. Como todo economista sabe, o mercado é o maior regulador das distorções sociais.

    Nos Estados Unidos, as grandes marcas já não associam mais seus nomes a fundações de ação social. Estas são iniciativas das famílias proprietárias de grandes marcas que utilizam recursos próprios e não os da empresa para fazer ação social. Devemos, nós também, brasileiros, exigir que responsabilidade social empresarial seja feita através de investimento próprio e não por meio de renúncias fiscais, afinal o imposto pago é o que sustenta políticas públicas, dirigidas a todos nós.