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Para além da beira da rua

11/10/2017

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Como amor e atenção podem ser a chave da confiança no futuro

Beira da rua. É como os moradores do morro do Escondidinho, no Rio Comprido, chamam a entrada principal da comunidade. Centenas de histórias habitam as pequenas casas da beira da rua para cima: sonhos, inquietudes, batalhas pessoais. Narrativas que também são permeadas por sorrisos, alegrias, superação e garra.

Mãe de seis filhos, Bianca Miriam da Silva Oliveira, de 36 anos, carrega em si traços de uma vida que não foi moleza. A maneira pausada de falar, mostra resignação frente ao difícil dia a dia da moradora de comunidade. 

A começar pela falta de serviços básicos, como saneamento de qualidade, condições adequadas de saúde e segurança, carência de investimentos em cultura e cidadania, para falar do mínimo, a vida das pessoas em áreas de vulnerabilidade social é uma constante batalha. Luta ainda mais árdua para as mães que, como Bianca, desejam um futuro de prosperidade para os filhos.

Um deles, Kevin Alexandre de Oliveira, hoje com 11 anos, já deu muito trabalho em casa e na escola. Rebelde, nunca obedecia à mãe e aos professores. Não foi diferente logo que entrou no projeto Craque do Amanhã, aos 9 anos, executado pelo CIEDS, em 2015, na comunidade: “Eu era chamada todos os dias. Ele desrespeitava os professores, vivia arrumando confusão com os outros meninos”, conta a mãe.

"Já fui expulso da escola porque bati em um menino. Também por conta de falta”

Na escola, o comportamento de Kevin se repetia. É ele mesmo quem hoje lembra: “Eu ficava pulando a escola, já fui expulso porque bati em um menino, a gente brigava todos os dias. Sempre que ele me via, me batia. E eu nele. Também saí da escola uma vez por conta de falta”.

Felizmente, a semente da mudança começou a brotar no Craque do Amanhã. Mesmo com um início difícil, era visível a melhoria na atitude de Kevin.

Depois de conversas com os professores e gestores do projeto que o acolheram, transmitindo a importância de valores como o respeito e a cooperação no trabalho em grupo, Kevin passou a se aproximar do que é hoje: um garoto doce, que tem prazer de ir à escola. Além de muito responsável – não perdia um dia de projeto. Às segundas e quartas, era dos primeiros a chegar, com alegria. Mesmo às sextas, quando as atividades eram para os mais velhos, lá estava Kevin, querendo participar.

Além das aulas de futebol, havia interação com a escola, que levava dificuldades dos alunos para serem trabalhadas no projeto.  Desenho, exibição de filmes e passeios externos também faziam parte das atividades.  “Curti todos os passeios”, recorda Kevin. Foi ao circo pela primeira vez e ficou maravilhado: “Vi vários palhaços, e aqueles caras que subiam lá no alto e caíam, com outro pendurado na perna deles”.  Será  que temos aí um futuro trapezista? Um pouco improvável, já que Kevin quer mesmo ser bombeiro!

A mãe, hoje aliviada, vê como crucial o bom uso do tempo das crianças da comunidade : “A tendência de quem mora no morro, infelizmente, é a de partir para a criminalidade. Tendo projetos e atividades para as crianças se focarem, muitos não acabarão ali, no crime”.

“Tendo projetos para as crianças, muitos não acabarão no crime”

Após os quase 2 anos de Craque do Amanhã, Kevin teve vários ganhos com a mudança de comportamento. Fez amigos, moradores de outros morros que também vinham jogar bola no projeto. Na escola, também se relaciona melhor com os colegas. É bom aluno, elogiado pelos professores. Adora matemática e escrita.

 

Ganhou confiança em seu potencial e, por consequência, maiores possibilidades de vida. Opções de futuro. Se ele deseja outro projeto na comunidade? Quase isso: “Outro não! Queria o mesmo”.

 

É que para além da beira da rua, a esperança nunca para de pulsar.

 

Por Ray Lucas

 

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