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Mudar a educação e educar para mudar

04/09/2012

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Que a violência era (e ainda é em muitos locais) um dos principais problemas para o desenvolvimento dos moradores de comunidades e favelas não é novidade pra ninguém. Que durante muitos anos, as autoridades da Cidade do Rio de Janeiro não souberam enfrentar esta questão também não é novidade. Poucas condições de segurança somadas, durante anos, à ausência de serviços públicos, fizeram estes locais ficarem conhecidos como “zonas de guerra”, um cenário caótico aonde a esperança muitas vezes deu lugar ao desespero. Nestas áreas dominadas por inimigos públicos, as crianças e adolescentes são as grandes prejudicadas. Futuro, por muito tempo, era apenas uma palavra. E futuro melhor, através da educação, uma utopia que poucas pessoas ousaram sonhar.

O programa Bairro Educador (BE), projeto que integra o Programa Escolas do Amanhã da Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro, desenvolvido pelo CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável), atua para ajudar a mudar um cenário muito comum nas escolas localizadas nestas comunidades: a alta evasão escolar.

Iniciado em junho de 2010 como um projeto piloto, hoje ele esta presente em 51 bairros e 209 escolas, o BE trabalha na perspectiva de levar aos estudantes de comunidades (algumas pacificadas, outras não) novas oportunidades de aprendizagem, procurando orientar as ações nos seguintes eixos: apropriação do bairro, e da cidade como recurso pedagógico de aprendizagem; interação família-escola e comunidade; estabelecimento de parcerias como potencializador de novas oportunidades educativas; gestão democrática e educação integral.

O projeto, em si, não trás nada de conceitualmente novo, trás uma postura nova, pois dizer que precisamos que todos se envolvam na educação dos nossos jovens não é novidade. Novidade é ter uma pessoa, representando o poder público, que vai até a padaria da esquina e pergunta: você pode nos ajudar na aula de matemática? Quero trazer uma turma aqui para que vejam como vocês trabalham pesos e medidas. Ou, que convidam profissionais das mais diversas áreas para que possam falar de suas profissões nas escolas, para estimular os jovens a continuar os estudos.

Estas pequenas ações, que para muitas escolas (particulares na sua maioria) são corriqueiras, pareciam impossíveis de serem realizadas nas escolas em que hoje atua o BE. Como poderia uma turma, de uma escola localizada em áreas de risco, ir até a esquina se muitas vezes a violência de confrontos armados chegava até a sala de aula? Ou como levar um palestrante, um animador, uma instituição parceira às escolas situadas nestas áreas? Por mais que existisse a boa vontade, também existia o bom senso, pois não era seguro. Mesmo quando o problema da violência estava acentuado nas comunidades, o BE já atuava nestes locais, pois são estes os estudantes que mais precisam de atenção e oportunidades.

Após dois anos de Programa Escolas do Amanhã, os resultados já começam a aparecer, como por exemplo, a taxa de evasão nas escolas atendidas pelo programa em 2008 foi de 5,1% e em 2010 esse percentual foi de 3,26%¹. Nesta mesma direção caminha o BE, que em dois anos de atuação gerou mais de 250 mil oportunidades para os estudantes participarem de atividades educativas (oficinas e palestras alinhadas ao Projeto Político Pedagógico e aos conteúdos curriculares, aulas-passeio, visita a centros culturais, teatros, cinemas, oficinas, palestras e etc.), divididas em quase 3 mil atividades culturais, dentro e fora das escolas. Todas elas relacionadas com o plano de trabalho, elaborado por escolas e realizadas com mais de 470² parceiros.

O debate sobre a qualidade do ensino nas escolas públicas já é antigo, e a maioria das pessoas que opinam sobre o assunto tem a mesma opinião: temos de mudar. Acreditamos que fazer com que os estudantes circularem pela cidade utilizando os equipamentos culturais, fortalecer o vínculo dos responsáveis com a escola, levar pessoas e instituições para dentro da escola com uma nova proposta de aprendizado e incrementar a atuação dos estudantes no dia-a-dia das escolas estimulará, quase que automaticamente, a implementação da educação integral de qualidade.

Uma educação de qualidade é capaz de mudar a vida de muitas pessoas, e de países também, por isso temos de trabalhar para termos escolas acolhedoras, com conteúdo, participativas, inovadoras, abertas, humanas. Durante décadas preparamos jovens para serem trabalhadores, e não cidadãos. Mas o Brasil precisa que nossas escolas formem cidadãos, que se tornarão bons profissionais, ou não. Mas antes de tudo, precisam ser cidadãos.

Sabemos que temos de mudar algumas praticas educacionais para educar, e será educando que vamos mudar muitas vidas e mudaremos o Brasil. O Bairro Educador, certamente, ajudará nesta mudança.

1 Mais informações sobre o Programa Escolas do Amanhã (PEA) veja o site da SME http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/exibeconteudo?article-id=2281501

2 Os números dos dois anos de projetos ainda não foram consolidados, por isso os resultados que apresentamos aqui são números aproximados. Estes dados estão contidos no Banco de Dados do Projeto Bairro Educador.

Por Luciano Cerqueira - Gerente de pesquisa do projeto Bairro Educador 

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