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01/03/2009

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Quem é que paga a conta da responsabilidade social?

Vandré Brilhante

O Centro de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável, CIEDS tem desenvolvido parcerias com alguns atores que exercem, verdadeiramente, a responsabilidade social. Por exemplo, no Ceará, o CIEDS é parceiro da Fundação I Can, criação de um casal canadense que com esforços e recursos próprios implantou bibliotecas em comunidades carentes em Fortaleza. Na nossa área, a Responsabilidade Social é o tema da vez.

Mais e mais empresas se envolvem com ações sociais. Muitas vezes, no entanto, responsabilidade social se confunde com marketing. As empresas criam institutos com seus nomes e lhes dirigem recursos que seriam destinados a impostos, ou seja, ao Estado que deve prover uma vida de qualidade para todos. Por meio desses arranjos, acontece uma verdadeira privatização dos impostos, já que esses institutos decidem o que fazer com os recursos que seriam públicos.

E fazem gigantescas campanhas de marketing, destacando seus investimentos na área social! O que fazem é mesmo é responsabilidade social empresarial?? Por que não tiram de seus lucros operacionais os recursos para ações sociais, culturais e educativas. Porque compramos, por valores altíssimos, livros que trazem o selo da lei Roaunet? O selo informa que o livro foi produzido com recursos oriundos da renúncia fiscal! Esse debate não é novo, mas é justo.

O CIEDS, comprometido com o fortalecimento do Terceiro Setor, se sente no dever de puxar essa discussão. Podemos questionar a legitimidade dos ditos encontros do Terceiro Setor onde só participam representantes empresariais! E também a prática de cooptar os profissionais formados pelas ongs com ofertas salariais maiores enfraquecendo assim todo o investimento na formação de quadros. Mas o consumidor pode mudar esse cenário. Como todo economista sabe, o mercado é o maior regulador das distorções sociais.

Nos Estados Unidos, as grandes marcas já não associam mais seus nomes a fundações de ação social. Estas são iniciativas das famílias proprietárias de grandes marcas que utilizam recursos próprios e não os da empresa para fazer ação social. Devemos, nós também, brasileiros, exigir que responsabilidade social empresarial seja feita através de investimento próprio e não por meio de renúncias fiscais, afinal o imposto pago é o que sustenta políticas públicas, dirigidas a todos nós.

URL do artigo: http://www.agenciasocial.com.br/artigos_integra.asp?idArtigo=102

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Comentários:

Lilia Fulco | 13/02/2012 11:47:01

Este assunto realmente pode gerar um grande debate, e faço abaixo algumas reflexões. As leis que permitem a renúncia fiscal dão à sociedade a oportunidade de escolher projetos prioritários e ao mesmo tempo permite o controle dos recursos. Entendo que empresas que criam instituições com a missão de beneficiar a sociedade e se utilizam das leis de incentivo estão, de certo modo, exercendo a cidadania empresarial, atuando em alguma questão cujo governo diretamente não foi capaz de dar soluções. Os processos de aprovação dos projetos são, na sua maioria, legítimos e justos. Num país onde existe a corrupção, utlizar o recurso do incentivo não seria uma maneira de assegurar que uma parte da arrecadação com os impostos vai de fato ser aplicada em uma boa causa, sem desvios ilícitos? A doação pessoal, para as famílias retentoras de fortunas, é uma alternativa, mas não elimina a possibilidade do uso das leis de incentivo. Elas estão aí e como mencionei, são uma forma de participação cidadã. A crítica aqui fica então à maneira com que as empresas comunicam seu envolvimento com causas sociais.

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